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Sábado, 16 de maio de 2026

PF investiga aplicação de R$ 107 milhões da Previdência de Cajamar em instituições financeiras sob suspeita

BrasilPF investiga aplicação de R$ 107 milhões da Previdência de Cajamar em instituições financeiras sob suspeita

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), uma operação para investigar possíveis irregularidades envolvendo investimentos realizados pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo. Segundo as investigações, aproximadamente R$ 107 milhões teriam sido aplicados em quatro letras financeiras, incluindo ativos ligados ao Banco Master, instituição que acabou liquidada pelo Banco Central no fim do ano passado.

De acordo com a apuração, o montante representa cerca de 19,56% de todo o patrimônio líquido do regime próprio de previdência do município, levantando questionamentos sobre os critérios técnicos utilizados para as aplicações financeiras e os riscos assumidos pela gestão responsável à época.

A investigação também aponta que parte significativa dos investimentos ocorreu durante a administração de um prefeito ligado politicamente ao senador Ciro Nogueira. Reportagem publicada anteriormente revelou que cerca de R$ 87 milhões foram direcionados especificamente para letras de crédito do Banco Master.

Nesta quarta-feira, agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e também na capital paulista. Além das diligências, pessoas ligadas ao instituto previdenciário foram afastadas dos cargos por decisão da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A Justiça também determinou a indisponibilidade de bens dos investigados.

Em nota incluída na investigação, a Polícia Federal afirmou que os gestores teriam falhado em “praticamente todas as etapas do processo de investimento”. Segundo os investigadores, não houve análise adequada dos emissores financeiros, avaliação consistente de risco, justificativa técnica para escolha dos ativos e nem critérios objetivos de concentração por instituição financeira.

A PF ainda aponta que a política de investimentos apresentava fragilidades relevantes, incluindo ausência de verificação de liquidez dos papéis e falhas na documentação das decisões tomadas pelos responsáveis pela previdência municipal.

As aplicações investigadas ocorreram entre agosto de 2023 e março de 2024. Os recursos teriam sido distribuídos entre letras financeiras do Banco Master e do Banco Daycoval, com vencimentos de longo prazo, variando entre oito e dez anos, e taxas indexadas ao IPCA.

O caso amplia a pressão sobre modelos de gestão de fundos previdenciários municipais e reacende críticas sobre a fiscalização de investimentos públicos de alto risco envolvendo recursos de aposentadoria de servidores.

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