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Política

Das cinzas do bolsonarismo à apoteose do "L": o melancólico baile de Soraya Thronicke

A política costuma punir o descompasso entre o discurso e a base eleitoral, mas poucas trajetórias recentes ilustram essa derrocada com tanta ironia quanto a da senadora Soraya Thronicke. Eleita em 2018 na esteira da onda conservadora que varreu Mato Grosso do Sul, a parlamentar encerra seu ciclo em um contraste absoluto: flagrada em vídeo comemorando, cantando e fazendo ostensivamente o gesto do "L" ao lado do marido, Carlos César, e de um casal de amigos logo após a apuração das urnas.


A cena, que rapidamente se espalhou pelos bastidores políticos e redes sociais, sintetiza o divórcio definitivo entre a senadora e o eleitorado que a projetou nacionalmente. Para quem chegou a Brasília autoproclamada defensora intransigente do liberalismo e dos valores da direita sul-mato-grossense, o espetáculo pós-eleitoral parece menos um ato de convicção tardia e mais um atestado de desconexão com o seu próprio estado.
A dança descontraída diante das câmeras soou como provocação calculada para os eleitores que a viram abandonar antigas bandeiras ao longo do mandato, migrando de partido em partido e buscando espaço no governismo federal. O resultado nas urnas em Mato Grosso do Sul já havia cobrado a fatura da metamorfose política; o registro em vídeo, contudo, transforma o revés eleitoral em um réquiem festivo, onde o pragmatismo das conveniências deu lugar ao deboche explícito contra aqueles que um dia acreditaram em suas promessas de campanha.
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