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Política

Zema questiona eleição sem provas; Caiado reconhece vitória de Lula

Renan Santos nega fraude e pede fim de protestos; Augusto Cury não se manifesta

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), confirmada no segundo turno de domingo (25), dividiu as reações dos candidatos derrotados no primeiro turno da disputa presidencial. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) questionou o resultado sem apresentar provas, enquanto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), reconheceu a decisão das urnas apesar da derrota do candidato que apoiava.

Zema, que disputou a Presidência no primeiro turno e declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo, publicou vídeos nas redes sociais lamentando o resultado. Sem apresentar provas, o ex-governador comparou a eleição a um processo fraudulento ocorrido na Venezuela.

"O Lula aplicou um golpe à la Venezuela, a mesma coisa que o seu companheiro e ditador fez lá prorrogando o prazo da eleição"

Zema classificou ainda a disputa como "alarmista e mentirosa" e acusou apoiadores do PT de disseminar notícias falsas durante a campanha. "Essa foi a eleição mais alarmista e mentirosa que eu já vi no Brasil, mas se é para somar para o lado deles vale tudo", declarou. O ex-governador também mencionou a atuação de sindicalistas em Salvador e, em publicações posteriores, criticou o governo petista, a situação da educação, a segurança pública e a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Caiado seguiu caminho distinto. Em entrevista coletiva em Goiânia, no mesmo domingo, o governador de Goiás afirmou que o apoio a Flávio Bolsonaro tinha como objetivo uma renovação política, mas disse aceitar o veredito da maioria.

"Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica", afirmou Caiado, que havia anunciado apoio ao senador em 6 de outubro, após a definição do segundo turno.

O governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também comentou o resultado e disse que a votação representa a vontade popular. Vilela defendeu que o governo federal adote uma política de responsabilidade fiscal e evite retaliação a estados governados por adversários políticos. "A votação das urnas é soberana. Democratas como somos, temos que reconhecer o resultado das urnas, a vontade do povo brasileiro", declarou.

Entre os ex-candidatos, Renan Santos (Missão) foi o que mais se distanciou das acusações de fraude levantadas por aliados de Flávio Bolsonaro. Em vídeos publicados nos stories do Instagram, Renan descartou qualquer irregularidade no processo eleitoral e atribuiu a derrota do senador à rejeição ao bolsonarismo.

"Não teve fraude na eleição. Todo mundo que viu a campanha sabe que a campanha do petismo foi colossal. E a do bolsonarismo também foi", sustentou. Para o ex-candidato, "o antibolsonarismo é maior que o antipetismo", fenômeno que, segundo ele, explica por que o movimento consegue eleger parlamentares e governadores, mas enfrenta dificuldade para vencer disputas presidenciais.

Renan relatou ainda conhecer mulheres que nunca haviam votado no PT e decidiram apoiar Lula no segundo turno por rejeitarem o comportamento de políticos bolsonaristas. Ao final das publicações, pediu que familiares e amigos de apoiadores de Flávio evitem que eles participem de manifestações contra o resultado eleitoral e criticou políticos que incentivam protestos sem questionar os próprios mandatos obtidos pelo mesmo sistema eleitoral.

"Não deixem as pessoas irem para as ruas. Estou falando sério, não deixem as pessoas correrem risco. Peço de coração", afirmou. Ele defendeu, por fim, que diferentes grupos políticos busquem diálogo para enfrentar os problemas econômicos e institucionais do país.

Augusto Cury, que havia manifestado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, não se pronunciou sobre o resultado até a divulgação desta reportagem.


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