A renúncia de Santiago Peña ocorre em meio a tumulto financeiro e político no país
Assunção — O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5) após uma crise no banco digital Ueno, desencadeada pela liquid ação da instituição e pedidos de impeachment de parlamentares da oposição.
A crise teve início na terça-feira (3), quando o Banco Central paraguaio decidiu liquidar o Ueno após identificar operações que comprometeram sua saúde financeira, resultando em milhares de clientes com o acesso ao dinheiro bloqueado. O rombo foi causado por empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio banco.
Os clientes do Ueno foram às ruas pedir a liberação dos seus depósitos, e confrontos com a polícia ocorreram em Assunção. O escândalo levou também à renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, criticado por sua atuação na supervisão do banco.
Peña, que foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, enfrentou pressão por alegações de manipulação de regras e desvio de dinheiro destinado a aposentadorias. A oposição acusa Peña de ser conivente com a quebra do banco e busca abrir um processo de impeachment, que ganhou força após o ex-presidente Horacio Cartes retirar seu apoio.
O Ueno, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, viu seu índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido, provocando a decisão do Banco Central de liquidá-lo para proteger depositantes.
O Ministério Público paraguaio abriu investigações criminais, com 27 pessoas recebendo acusações formais. Para mitigar os impactos, Peña anunciou um acordo para usar recursos do Fundo de Garantia do país para ressarcir os clientes afetados.
No entanto, a crise gerou temores entre clientes de outras instituições bancárias, que relataram falhas nos aplicativos em meio ao aumento das transferências. O Banco Central e a Associação de Bancos do Paraguai garantem que o sistema financeiro permanece estável e em funcionamento.
Peña, ao anunciar sua renúncia, disse ter tomado a decisão “pensando na estabilidade do nosso país e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, mas a Câmara dos Deputados decidiu seguir com o processo de impeachment por unanimidade, desconsiderando sua resignação.
Analistas políticos especulam que a renúncia de Peña poderia ser uma tentativa de proteger sua posição como senador vitalício, conforme a Constituição paraguaia, que permite que ex-presidentes ocupem esse cargo após deixarem a presidência.
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