Brasília, 21 de julho de 2025 –
Em seu primeiro pronunciamento público após a instalação da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente Jair Bolsonaro classificou a medida judicial como uma “suprema humilhação”. Ele discursou diante de jornalistas após ser monitorado pela Polícia Federal e descreveu as restrições como exageradas, negando qualquer intenção de fuga ou pedido de asilo.
Em sua fala, Bolsonaro afirmou que não cogitou jamais deixar o país ou buscar proteção em embaixadas, questionando ainda a possibilidade de fuga como fundamento para a medida cautelar. Ele reforçou que o processo é, na visão dele, um “inquérito político” sem base concreta. Ao comentar sobre os valores em espécie encontrados pela PF (cerca de US$14 mil e R$8 mil), disse possuir comprovantes e negou envolvimento com o pen drive apreendido.
O ex-presidente chamou atenção ao repetir, por várias vezes, que acredita estar sendo alvo de “perseguição” e endureceu o tom ao destacar o caráter pessoal da humilhação.
Contexto das medidas legais
As decisões são parte de uma operação da PF determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, motivada por suspeita de tentativa de golpe e risco de fuga. As restrições incluem uso contínuo da tornozeleira, recolhimento domiciliar noturno e fim de semana, além da proibição de comunicação com diplomatas, investigados e uso de redes sociais, sob pena de prisão imediata.
Implicações políticas
A postura adotada por Bolsonaro visa enfatizar a narrativa de “mise en scène” político e obter apoio de setores da sua base de eleitores. O episódio acirra ainda mais os confrontos institucionais entre forças política-partidárias, Judiciário e segurança pública, e pode influenciar futuras movimentações no Congresso e na imprensa.