Governador de São Paulo diz compreender a indignação do senador, mas defende oposição dentro das instituições democráticas
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve respeitar o resultado das eleições presidenciais e atuar dentro das instituições democráticas. Em nota, ele disse compreender a indignação do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno da disputa presidencial, depois que o senador divulgou dos Estados Unidos uma carta se autoproclamando presidente da república.
"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou Tarcísio.
Para o governador, o momento exige "responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte". Tarcísio defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições, de modo a fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.
A manifestação do governador ocorre depois que Flávio divulgou, dos Estados Unidos, um documento em que contestou o resultado da eleição presidencial. Na primeira versão da carta, o senador se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", alegou fraude eleitoral, criticou a atuação do Judiciário e afirmou que lideraria a oposição a Lula a partir do exterior.
Em uma versão posterior do texto, Flávio substituiu a expressão "verdadeiro presidente eleito" por "líder do Brasil", mas manteve a intenção de se apresentar como uma liderança política nacional. O senador deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas após a derrota no segundo turno.
A fala de Tarcísio se soma a um movimento mais amplo de projeção nacional do governador. Na terça-feira (27), ele já havia publicado um vídeo nas redes sociais em que reconheceu o resultado eleitoral e defendeu uma oposição vigilante ao governo Lula. Na gravação, afirmou que a eleição havia terminado, mas que permanecia o desejo de um governo com quadros técnicos, redução de gastos e impostos e responsabilidade fiscal.
Aliados do governador e dirigentes partidários o consideram um dos nomes mais bem posicionados para liderar a oposição e avaliam que ele pode se tornar um candidato competitivo à Presidência em 2030. A estratégia em curso busca conciliar a gestão de São Paulo com uma atuação mais presente no debate político nacional.
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