Por Redação BR Times
14 de novembro de 2025
Deputados democratas dos Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (12) um conjunto de e-mails atribuídos ao financista Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual de menores e morto em 2019. Entre as mensagens, datadas de 21 de setembro de 2018, destaca-se uma troca que menciona explicitamente uma ligação do linguista Noam Chomsky com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — então preso em Curitiba, cumprindo pena por corrupção no âmbito da Operação Lava Jato.
O e-mail, enviado às 6h33 da manhã, traz a frase:
“Chomsky called me with Lula. From prison. What a world”
(“Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo”).
O registro refere-se a uma visita feita pelo próprio Chomsky à sede da Polícia Federal em Curitiba, no mesmo ano, quando o intelectual americano se encontrou com Lula, condenado em segunda instância nos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Na ocasião, Chomsky e sua esposa estavam no Brasil para uma série de palestras e manifestaram apoio ao petista, que cumpria pena de 12 anos e 1 mês de reclusão.
Contexto da Visita
• Data da visita: 2018 (mesmo ano dos e-mails)
• Local: Superintendência da PF em Curitiba
• Condenações de Lula:
– Triplex do Guarujá: 12 anos e 1 mês (confirmado pelo TRF-4)
– Sítio de Atibaia: 17 anos e 1 mês (em primeira instância, depois anulada pelo STF em 2021)
• Presença: Chomsky, sua esposa e Lula (na cela especial da PF)
Relação Prévia entre Chomsky e Epstein
A proximidade entre Noam Chomsky e Jeffrey Epstein já era conhecida antes das denúncias de tráfico sexual. O linguista, ícone da esquerda acadêmica americana, era um dos nomes mais influentes da filosofia e linguística contemporânea — e, segundo os documentos, mantinha contato com Epstein anos antes de sua prisão em 2019.
Epstein, por sua vez, cultivava relações com figuras de peso em diversos campos — da ciência à política —, usando sua fortuna e conexões para se inserir em círculos de poder. A menção ao telefonema com Lula na prisão reforça a extensão de sua rede, mesmo após já ser alvo de investigações.
Análise: Um Encontro Simbólico
A visita de Chomsky a Lula na prisão foi amplamente noticiada à época como um gesto de solidariedade internacional à esquerda. O linguista classificou a condenação de Lula como “perseguição política” e comparou o caso a “julgamentos stalinistas”.
Do ponto de vista jurídico, porém, as condenações foram baseadas em:
• Provas documentais (contratos, reformas, pagamentos via empreiteiras)
• Depoimentos de delatores da Odebrecht e OAS
• Interceptações telefônicas autorizadas
• Decisões unânimes em segunda instância (TRF-4)
Todas as sentenças foram posteriormente anuladas pelo STF em 2021, por questões processuais (incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba), e não por ausência de provas — fato frequentemente omitido por apoiadores do ex-presidente.
O Que os E-mails Revelam
A divulgação dos e-mails por deputados democratas — ironicamente, membros do mesmo partido que hoje governa os EUA com Joe Biden — expõe a intersecção entre:
1. Intelectuais de esquerda (como Chomsky)
2. Lideranças políticas condenadas por corrupção (como Lula)
3. Figuras do submundo financeiro e sexual (como Epstein)
Embora não haja indícios de que Chomsky ou Lula soubessem dos crimes de Epstein à época, o contato mediado pelo financista levanta questões éticas sobre vetores de influência transnacional na política brasileira.
Conclusão
Os e-mails de Epstein não provam conluio, mas escancaram uma teia de relações que une poder, ideologia e dinheiro — muitas vezes em detrimento da transparência e da accountability. Enquanto Lula foi solto e voltou ao Planalto em 2023, Epstein morreu na prisão. Chomsky, aos 96 anos, segue ativo na academia.
A história, como sempre, cobra a conta de todos — em momentos diferentes.
BR Times — Informação com responsabilidade. Direita com fatos.