Articulado por ministros do STF, encontro marca primeira tentativa de distensionamento após Senado rejeitar indicado do governo
Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), realizaram na noite desta terça-feira (4) a primeira rodada de conversas para tentar superar uma severa crise institucional. O encontro aconteceu fora dos prédios oficiais, na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e contou também com a presença do ministro Cristiano Zanin. Foram os dois magistrados que assumiram o papel de fiadores e articuladores desta reaproximação.
As pontes entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado haviam sido implodidas em abril deste ano. O estopim do rompimento foi a atuação de Alcolumbre na articulação que levou o plenário da Casa a rejeitar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma cadeira no STF. A derrota representou um revés contundente para o governo e paralisou o diálogo direto entre os dois chefes de Poder.
Segundo a apuração inicial, confirmada por interlocutores, a reunião durou cerca de três horas. Durante o encontro, os líderes evitaram mergulhar nas negociações de pautas legislativas específicas, optando por lavar a roupa suja acumulada nos últimos meses. O diálogo focou em expor as "mágoas do passado" e quebrar o gelo, em um movimento classificado por assessores de ambos os lados como positivo para garantir a estabilidade nas relações institucionais.
Até a noite de terça-feira, Lula vinha resistindo ativamente às investidas do senador amapaense. Alcolumbre enviou recados sucessivos por meio de aliados comuns, demonstrando interesse em refazer os laços. A resistência presidencial, no entanto, não se baseava apenas no episódio do Supremo, mas também na paralisação da agenda econômica e trabalhista no Congresso Nacional.
O Executivo acumula insatisfações contínuas com a recusa de Alcolumbre em colocar para tramitar pautas prioritárias da gestão petista. O ponto de maior atrito recente envolve a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6x1. A medida é considerada vital pelo Planalto, figurando como uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente.
Para o governo, a estratégia imediata é garantir um ambiente de distensionamento. As pendências práticas e a votação de projetos polêmicos, porém, deverão ser deixadas para o período pós-eleitoral, quando o cenário político estará repactuado. Na manhã desta quarta-feira (5), a cautela prevaleceu. Ao chegar para os trabalhos no Senado, Alcolumbre foi questionado sobre o resultado da longa conversa com o presidente da República. Lacônico, o senador limitou-se a uma resposta de apenas uma palavra: "Segredo".
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