Decisão atende à pressão de ministros do STF por acesso à íntegra dos dados do ex-banqueiro antes do julgamento da próxima terça-feira.
Brasília — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, determinou neste sábado (12) um prazo de 24 horas para que a Polícia Federal preste informações sobre o telefone celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as condições de armazenamento do material.
A medida é uma resposta institucional à intensa pressão de uma ala da Corte. Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes exigem o compartilhamento irrestrito do conteúdo do aparelho, um iPhone 17 Pro, antes da análise do caso pelo plenário, agendada para a próxima terça-feira (15).
O epicentro do impasse é o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo. Na sexta-feira, Zanin havia cobrado de Fachin o espelhamento completo dos dados. Ao ser consultado, Mendonça argumentou que o aparelho original físico não está em sua posse, mas sim guardado nos depósitos da própria corporação policial para assegurar a inviolabilidade da cadeia de custódia.
O relator informou dispor apenas de uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, remetida pela PF em março de 2026. Em ofício, Mendonça declarou que o dispositivo de backup "permanece lacrado no Gabinete e portanto, encontra-se inacessível", funcionando unicamente como contraprova em caso de perda ou extravio das evidências originais.
A justificativa técnica, contudo, não encerrou a disputa. Zanin contestou formalmente a argumentação de Mendonça, sustentando que o lacre da cópia de segurança não impede o compartilhamento do espelhamento com os demais julgadores. O ministro também lembrou que a própria defesa do ex-banqueiro já obteve acesso à totalidade das informações extraídas.
Na mesma linha, Moraes oficializou seu endosso ao pleito e adotou um tom incisivo contra a retenção do material probatório. Em documento enviado à presidência do STF, o magistrado disparou contra a conduta do relator.
"Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento."
Com o movimento de Gilmar Mendes consolidando a ofensiva sobre o relator para destravar os dados, a articulação em bloco forçou o presidente do STF a agir. Agora, a Polícia Federal precisará mapear tecnicamente a situação das evidências em tempo recorde, sob o risco de a ausência do material inviabilizar ou conturbar a sessão decisiva da Corte.
BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.