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Guerra

Coreia do Norte amplia apoio a Moscou com tropas e mísseis balísticos

Regime de Pyongyang fornece milhões de munições e novos contingentes militares enquanto forças russas enfrentam escassez no quinto ano de conflito

No quinto ano da guerra no leste europeu, o envolvimento militar da Coreia do Norte ao lado de Moscou alcançou um novo patamar operacional. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou o emprego recente de mísseis balísticos norte-coreanos em bombardeios russos e alertou para a preparação de um contingente de até 50 mil soldados de Pyongyang destinados a reforçar as fileiras do Exército russo na linha de frente.

O suporte logístico de Pyongyang tem se materializado em entregas de armamento pesado. Segundo autoridades ucranianas ouvidas pela agência Reuters, uma nova unidade de mísseis balísticos foi transferida para a Rússia e posicionada na região fronteiriça de Voronezh para ataques direcionados ao território ucraniano. A estrutura comporta 120 projéteis distribuídos em seis plataformas de lançamento e conta com 90 militares norte-coreanos destacados para a sua operação direta, armamento associado a ataques que deixaram vítimas civis no mês passado.

A aproximação bélica baseia-se no tratado de cooperação estratégica firmado entre Vladimir Putin e Kim Jong-un em junho de 2024, que prevê auxílio militar mútuo em caso de agressão externa. Estimativas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) e de um grupo de monitoramento da ONU indicam que a Coreia do Norte já repassou mais de 15 milhões de munições, veículos de combate, canhões e centenas de mísseis. Além do envio prévio de 14 mil soldados ao combate entre 2024 e 2025, cerca de 30 mil operários norte-coreanos foram transferidos para suprir postos na economia russa afetados pela mobilização militar.

A cooperação reflete o esforço de Pyongyang em consolidar sua posição geopolítica, conforme análise do Instituto Econômico da Coreia (KEI). Enquanto o regime norte-coreano classifica a ação como apoio legítimo a um aliado estratégico, o conflito assumiu uma dinâmica intensiva de ataques aéreos com drones e mísseis de longo alcance, ao mesmo tempo em que a Ucrânia mantém defesas apoiadas por baterias antiaéreas e armas fornecidas pelos Estados Unidos e parceiros da Otan.

A necessidade de reforço externo por parte do Kremlin decorre do elevado índice de atrito na linha de contato. Relatórios do ISW apontam que as forças russas somam cerca de 500 mil mortos e 1,2 milhão de baixas totais entre feridos e desaparecidos, quadro que reduziu a capacidade de recrutamento interno e gerou desfalques de equipamentos, evidenciados pela ausência de blindados pesados no desfile militar do Dia da Vitória deste ano em Moscou. Apesar da pressão numérica, a contenção ucraniana sustenta posições por meio de barreiras táticas de drones e defesa em profundidade.

"A defesa ucraniana está se mostrando duradoura, enquanto é a ofensiva russa que enfrenta dificuldades."

A avaliação do Instituto para o Estudo da Guerra destaca o equilíbrio tenso no front, onde a projeção de chegada de dezenas de milhares de militares norte-coreanos representa a tentativa mais explícita de Moscou de recompor seu efetivo e quebrar a resistência territorial adversária.


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