Um esboço de documento elaborado pelos governos de Donald Trump e Vladimir Putin sugere mudanças drásticas nas fronteiras e na soberania da Ucrânia para encerrar o conflito. A proposta, que ainda será apresentada oficialmente a Kiev, indica que os Estados Unidos reconheceriam a soberania russa sobre regiões do leste ucraniano.
Principais Pontos da Proposta (28 Pontos)
De acordo com o acesso obtido pela AFP, o plano estrutura-se em pilares territoriais, militares e econômicos:
1. Redefinição Territorial
- Cessão de Donetsk e Luhansk: Kiev cederia estas regiões, que seriam reconhecidas “de fato” como russas, inclusive pelos EUA. A mesma regra se aplicaria à Crimeia. Isso representa a perda de mais da metade do território atualmente ocupado pela Rússia (cerca de 20% da Ucrânia).
- Divisão do Sul: As regiões de Kherson e Zaporizhzhia seriam divididas seguindo o traçado da atual linha de frente de batalha.
- Central Nuclear: A usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa, teria sua gestão dividida entre Rússia e Ucrânia.
2. Restrições Militares e de Segurança
- Redução de Efetivos: As Forças Armadas da Ucrânia seriam reduzidas a 600 mil soldados (atualmente são quase 900 mil).
- Fim da Otan para Kiev: A Ucrânia deve incluir em sua Constituição a renúncia à integração na Otan, mantendo-se elegível apenas para a União Europeia.
- Garantias de Segurança: Em troca, a Ucrânia receberia garantias semelhantes às da Otan: em caso de nova invasão, EUA e Europa enviariam tropas para defesa.
- Posicionamento da Otan: A aliança se comprometeria a não posicionar tropas em solo ucraniano, mantendo aviões estacionados na Polônia.
- Acordo de Não Agressão: Assinatura de um pacto entre Rússia, Ucrânia e Europa.
3. Reconstrução Econômica
- Financiamento: A reconstrução da Ucrânia seria financiada por US$ 100 bilhões (aprox. R$ 533 bilhões) provenientes de ativos russos que estão atualmente congelados por sanções.
Reações e Bastidores das Negociações
A proposta é vista por europeus e ucranianos como amplamente favorável à Rússia. A Casa Branca, através da porta-voz Karoline Leavitt, afirmou que Trump apoia o plano e acredita que ele deve ser aceitável para ambas as partes.
- Pressão Americana: Fontes indicam que os EUA ameaçaram cortar o fornecimento de armas e inteligência caso a Ucrânia não aceite negociar. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, conversou com Zelensky nesta sexta-feira (21).
- Posição da Europa: Líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz, conversaram com Zelensky para assegurar apoio contínuo, embora tenham elogiado os esforços de Trump pelo fim da guerra. Eles reforçaram que a Ucrânia deve manter capacidade de defesa de sua soberania.
- Postura de Kiev: Zelensky evitou criticar diretamente a proposta para não atritar com Trump, mas exigiu respeito à soberania ucraniana e alertou que a próxima semana será “muito difícil”.
- Visão do Kremlin: Moscou afirmou que Kiev tem pouca margem para negociação, citando o recente avanço das tropas russas, incluindo a reivindicação da tomada de Kupyansk.