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Geopolítica

Democratas conquistam maioria no Senado dos EUA

Partido vira seis cadeiras em estados conservadores e também deve assumir o controle da Câmara dos Representantes

O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria das cadeiras no Senado dos Estados Unidos, impondo uma derrota histórica ao presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Até a última atualização dos resultados, os democratas somavam 52 cadeiras contra 40 dos republicanos, com oito ainda em apuração.

Para obter a maioria da Casa, um partido precisa eleger 51 senadores. Com o resultado confirmado, o Partido Republicano perdeu o controle do Senado — e projeções indicam que também deve perder a maioria na Câmara dos Representantes. Antes da eleição, os republicanos controlavam as duas Casas do Congresso americano.

Os democratas conseguiram virar seis cadeiras que estavam sob controle republicano: Texas, Kansas, Ohio, Iowa, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O partido também manteve outras onze cadeiras que já ocupava no Senado.

No Texas, um dos estados mais conservadores do país, James Talarico derrotou Ken Paxton, procurador-geral do estado envolvido em diversos escândalos. Trump havia apoiado Paxton contra o senador John Cornyn nas primárias republicanas, mesmo com lideranças do partido alertando que o candidato teria dificuldades na eleição geral.

Resultado semelhante ocorreu na Carolina do Sul, onde Annie Andrews superou Darline Graham. Trump apoiou a candidata republicana apesar de dúvidas dentro do próprio partido sobre sua experiência para disputar a cadeira antes ocupada por seu irmão, o senador Lindsey Graham, morto de forma inesperada.

Em Ohio, estado de tendência republicana, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador Jon Husted, para quem Trump fez campanha em visitas repetidas ao estado. Os democratas também viraram uma cadeira na Carolina do Norte e mantiveram assentos disputados em New Hampshire e na Geórgia.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado republicano Mike Collins, frustrando o que os republicanos consideravam uma de suas principais chances de avanço na Casa. Já em Illinois, a democrata Juliana Stratton foi eleita para a vaga do senador Dick Durbin, do mesmo partido.

Outros senadores democratas foram reeleitos com margem confortável, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado.

O Congresso americano é renovado parcialmente a cada dois anos: os deputados cumprem mandatos de dois anos e os senadores, de seis. A cada ciclo eleitoral, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes são disputadas junto a um terço das cem cadeiras do Senado — neste ano, 35 vagas estavam em jogo.

Com a oposição controlando o Senado e à beira de assumir também a Câmara, a segunda metade do mandato de Trump deve se desenrolar sob um Congresso dividido, o que tende a dificultar a aprovação da agenda da Casa Branca pelos próximos dois anos.


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