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Economia

Governo anuncia Split Payment e amplia controle sobre tributos; especialistas alertam para impactos no caixa das empresas

O governo federal anunciou a implementação do Split Payment, um dos mecanismos centrais da reforma tributária. A medida prevê que os impostos incidentes sobre uma venda sejam automaticamente separados no momento do pagamento e enviados diretamente aos cofres públicos, antes mesmo de o dinheiro chegar à conta da empresa.

Na prática, o empresário deixará de receber o valor integral da venda para depois efetuar o recolhimento dos tributos. Com o novo sistema, a parcela correspondente aos impostos será retida automaticamente durante a operação financeira.

Para o governo, o objetivo é reduzir a sonegação, combater fraudes e aumentar a eficiência da arrecadação. No entanto, representantes do setor produtivo e especialistas em economia alertam que a mudança pode aumentar o controle estatal sobre as transações e gerar novos desafios para empresas de todos os portes.

Como funcionará

Sempre que uma compra for realizada, o sistema identificará o valor dos tributos incidentes sobre aquela operação. Esse montante será direcionado automaticamente ao governo, enquanto apenas o restante será depositado na conta da empresa.

O modelo deverá ser integrado aos meios de pagamento eletrônicos, instituições financeiras e sistemas de emissão de notas fiscais.

Quais podem ser as consequências?

Entre as principais preocupações levantadas por economistas e entidades empresariais estão:

* redução do fluxo de caixa das empresas, especialmente pequenos e médios negócios;
* diminuição do capital de giro disponível para investimentos, compra de mercadorias e pagamento de fornecedores;
* aumento da dependência de crédito bancário por parte das empresas;
* custos adicionais para adaptação tecnológica dos sistemas financeiros;
* maior poder de fiscalização e controle do governo sobre cada transação comercial.

Empresários afirmam que hoje muitos utilizam o período entre o recebimento da venda e o recolhimento dos tributos para administrar o caixa da empresa. Com o Split Payment, essa margem praticamente desaparece.

E o consumidor?

Embora o consumidor não veja uma cobrança adicional na hora da compra, especialistas avaliam que o impacto pode chegar ao bolso de forma indireta.

Caso as empresas enfrentem aumento de custos operacionais, necessidade de financiamento ou perda de capital de giro, parte dessas despesas poderá ser incorporada ao preço final de produtos e serviços.

Além disso, economistas apontam que pequenas empresas podem encontrar mais dificuldades para manter suas operações, reduzindo investimentos, contratações e expansão dos negócios.

Críticas ao modelo

Críticos da medida argumentam que o Split Payment representa mais um avanço do Estado sobre a atividade econômica ao permitir que o governo tenha acesso imediato à parcela tributária de cada operação comercial.

Na avaliação desses analistas, o novo sistema fortalece a capacidade de arrecadação do governo, mas pode reduzir a autonomia financeira das empresas, especialmente em um país que já possui uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Também há preocupação quanto à complexidade da implementação, que exigirá integração entre bancos, operadoras de pagamento, empresas e administração tributária.

Governo defende maior eficiência

O Ministério da Fazenda sustenta que o Split Payment reduzirá a inadimplência, dificultará fraudes fiscais e tornará a arrecadação mais eficiente dentro do novo modelo criado pela reforma tributária.

A implementação ocorrerá de forma gradual durante o período de transição da reforma, com regulamentações complementares previstas para definir os detalhes técnicos do funcionamento do sistema.

Enquanto o governo destaca ganhos de eficiência e combate à evasão fiscal, empresários e representantes do setor produtivo acompanham a regulamentação com preocupação, temendo que a medida aumente os custos das empresas e produza efeitos indiretos sobre preços, investimentos e geração de empregos.
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