Avanço reflete aumento do IOF e da arrecadação sobre salários; nova contabilidade exclui FGTS e reduz artificialmente o peso do Estado
Brasília — O peso do Estado sobre a riqueza nacional atingiu seu maior patamar em 15 anos. A carga tributária brasileira consumiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de 2025, segundo estimativas consolidadas pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira.
O avanço de 0,18 ponto percentual em relação ao ano anterior tem raiz direta no caixa da União. A elevação dos tributos da esfera federal responde por quase a totalidade do aumento do custo fiscal suportado pelo setor produtivo e pelas famílias, com destaque para a alta no Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).
No detalhamento do pacto federativo, a máquina federal abocanhou 22,34% de toda a riqueza gerada pelo país no último ano, um salto em relação aos 21,6% registrados no período anterior. Os estados absorveram 8,38%, enquanto as prefeituras tiveram uma fatia calculada em 2,42% do PIB nacional.
Para o Tesouro, a escalada na tributação financeira é um dos principais vetores do resultado. Em documento oficial, o órgão governamental indicou que houve um salto de 0,10 ponto percentual do PIB exclusivamente no IOF. O avanço foi impulsionado por operações de saída de moeda estrangeira e pelo aumento direto das alíquotas incidentes sobre as operações de câmbio e crédito.
O aquecimento do mercado de trabalho também inflou a arrecadação pública. O volume extraído via Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) cresceu 0,23 ponto percentual, movimento atribuído pelo Tesouro ao “crescimento dos rendimentos do trabalho decorrente da expansão da massa salarial”.
A arrecadação previdenciária acompanhou o ritmo de expansão do Estado. As contribuições para o Regime Geral ganharam tração com a reoneração da folha de pagamentos das empresas e a expansão do mercado formal, resultando em um acréscimo de 0,12 ponto percentual do PIB.
O novo recorde estatístico carrega, ainda, um alívio metodológico. O Tesouro adotou uma nova métrica recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que expurga do cálculo as contribuições compulsórias pagas pelo setor produtivo ao FGTS e ao Sistema S. Caso o governo mantivesse a contabilização dessas obrigações empresariais na conta final, a verdadeira proporção da riqueza nacional transferida aos cofres públicos teria batido 34,35% do PIB em 2025.
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