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Mundo

Calor extremo na Europa deixa mais de 1,3 mil mortes e provoca gargalos na infraestrutura

Temperaturas históricas acima de 41°C sobrecarregam sistemas de saúde pública, reduzem geração de energia nuclear e projetam perdas bilionárias na produtividade do continente.

O avanço de uma massa de ar quente sobre o continente europeu já provocou mais de 1,3 mil mortes acima da média histórica desde o agravamento do fenômeno, no último dia 24 de junho. De acordo com o balanço consolidado neste domingo (28) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 150 milhões de pessoas enfrentam atualmente condições climáticas severas. O impacto imediato do estresse térmico severo já pressiona as redes de saúde pública, compromete a malha de transportes e força restrições na geração de energia elétrica em setores estratégicos.

O episódio atual, apontado por meteorologistas como o mais intenso já registrado na Europa, estabeleceu marcas históricas em diversas nações devido a um padrão atmosférico conhecido como "bloqueio ômega", que retém a massa de ar seco sobre uma mesma região geográfica. Na Alemanha, os termômetros atingiram o recorde absoluto de 41,5°C no sábado, com alertas do serviço meteorológico nacional de que as temperaturas podem se aproximar dos 42°C nas próximas horas. Marcas semelhantes foram registradas ao norte de Praga, na República Tcheca, com 40,8°C, e na França, onde diversas regiões superaram os 40°C ao longo da semana. A Suíça registrou 39°C em Basileia, enquanto a Dinamarca atingiu 37°C, o maior índice desde o início das medições locais.

Os desdobramentos sobre a saúde humana concentram-se majoritariamente na população idosa. Na França, a agência de saúde pública contabilizou cerca de mil óbitos excedentes, com um aumento expressivo de mortes domiciliares na região metropolitana de Paris. A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, alertou que "o episódio ainda não acabou", ressaltando que as consequências hospitalares devem continuar sendo sentidas por até dez dias após o recuo das temperaturas. Na Espanha, as autoridades associaram 212 mortes ao calor extremo em um intervalo de apenas quatro dias, o que levou hospitais em capitais como Paris e Viena a expandirem emergencialmente suas capacidades de atendimento.

A gravidade climática também gerou reflexos diretos na infraestrutura industrial e logística do continente. Na Hungria, a usina nuclear de Paks reduziu a produção de eletricidade para conter o superaquecimento das águas do rio Danúbio, mantendo o resfriamento dos reatores dentro dos limites operacionais de segurança regulatórios. Paralelamente, o serviço ferroviário na Alemanha flexibilizou as regras para o cancelamento de viagens devido ao risco iminente de deformação dos trilhos, enquanto trechos de rodovias federais apresentaram rachaduras estruturais provocadas pela dilatação térmica do asfalto.

Para além do colapso imediato dos serviços básicos, analistas alertam para os desdobramentos financeiros permanentes do clima extremo sobre o mercado de trabalho. Em análise macroeconômica, a economista Katharina Utermöhl, pesquisadora de políticas econômicas da seguradora Allianz, apontou que temperaturas superiores a 30°C deprimem diretamente os índices de produtividade e inflam os custos operacionais das empresas. "Acima de 30 graus, a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia aumentam 1,2% por grau", explicou Utermöhl. Um modelo de projeção da Allianz estima que, caso a frequência desses eventos extremos se consolide, as perdas acumuladas apenas para a economia alemã podem somar 131 bilhões de dólares entre 2026 e 2030.


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