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Economia

Dólar sobe a R$ 5,38 e Ibovespa cai pelo quarto dia

Juros mantidos pelo Fed nos EUA e definição da alíquota da CBS, da reforma tributária, pressionam mercado nesta quinta-feira

O dólar subiu 0,89% nesta quinta-feira (29) e fechou cotado a R$ 5,3874, depois de chegar a R$ 5,4285 na máxima do dia. Na direção contrária, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuou 1,06%, para 169.186 pontos, no quarto pregão seguido de perdas.

No acumulado da semana, o dólar já avança 7,90%, enquanto o Ibovespa amplia a queda para 17,50% — próximo de um quinto do valor do índice perdido em apenas cinco pregões. No mês, a moeda americana sobe 4,12% e a bolsa cede 9,20%. No ano, o quadro se inverte: o dólar ainda acumula queda de 1,85%, e o Ibovespa, alta de 5%.

O movimento do dia teve como pano de fundo a manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano. Com a decisão já digerida pelo mercado, os investidores voltaram a atenção para dois indicadores: o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), que subiu 0,5% em setembro por conta da alta da gasolina e de outros bens, e o Produto Interno Bruto (PIB) americano do terceiro trimestre, que cresceu mais do que o esperado. Os dois números reforçam a expectativa de uma nova alta de juros na próxima reunião do Fed.

No Brasil, o foco do dia ficou dividido entre os desdobramentos das eleições presidenciais e a definição da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o novo tributo sobre o consumo criado pela reforma tributária. Na quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo de uma alíquota de referência de 11,3% para 2027. O valor será enviado ao Congresso Nacional, mas caberá ao Senado Federal fixar a alíquota final, que passará a ser cobrada a partir de 2027, até 15 de dezembro.

Além da CBS, haverá cobrança transitória do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com alíquota total de 0,1% em 2027 e 2028, dividida entre estados e municípios. Com a reforma, os tributos sobre o consumo passam a seguir o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado em grande parte do mundo: o imposto é recolhido em cada etapa da cadeia produtiva, mas as empresas podem descontar os tributos já pagos nas fases anteriores.

Também nesta quinta-feira, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou a atualização anual das alíquotas do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha. Os novos valores, oficializados no Diário Oficial da União, entram em vigor em fevereiro de 2027 e representam custo adicional para o consumidor nos postos de combustível.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda, em meio à repercussão de balanços corporativos e dos novos dados de inflação e atividade. O Dow Jones caiu 0,25%, o S&P 500 recuou 0,30% e o Nasdaq Composite teve a maior perda, de 1,38%.

Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta, com os investidores avaliando a renúncia de Christine Lagarde à presidência do Banco Central Europeu (BCE) e repercutindo a decisão do Fed de manter os juros inalterados. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,7%, para 644,14 pontos; o DAX, da Alemanha, avançou 0,37%; o CAC-40, da França, teve alta de 0,02%; e o FTSE 100, do Reino Unido, ganhou 0,04%.

Na Ásia, as ações chinesas fecharam em queda em meio a uma nova onda de vendas de papéis ligados ao setor de tecnologia. O SSEC, índice de Xangai, caiu 0,8%, e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, recuou 1%. No Japão, o Nikkei avançou 1,10%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,24% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,59%.

O próximo marco para o mercado brasileiro é a votação no Congresso Nacional da alíquota de referência da CBS, que o Senado Federal terá até 15 de dezembro para definir em caráter final antes da entrada em vigor do novo tributo, em 2027.


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