Relatórios apontam avanço de áreas devastadas mesmo com medidas de controle; cientistas e ambientalistas alertam para efeitos irreversíveis.
O desmatamento na Amazônia brasileira voltou a registrar números alarmantes em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nesta sexta-feira (12). De acordo com o sistema DETER, foram destruídos mais de 3.980 km² de floresta entre janeiro e junho, o maior índice para o primeiro semestre desde 2008.
Apesar de campanhas e medidas anunciadas por governos estaduais e federais nos últimos anos, o ritmo do desmatamento segue elevado, especialmente em regiões de fronteira agrícola nos estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas.
Atividades ilegais lideram devastação
O levantamento aponta que as principais causas da destruição da floresta incluem a expansão do garimpo ilegal, extração clandestina de madeira e ocupações irregulares de terra. As operações de fiscalização do IBAMA e da Polícia Federal têm sido constantes, mas, segundo especialistas, ainda insuficientes para conter a pressão sobre a floresta.
Em algumas regiões, como o sul do Amazonas e o norte de Rondônia, imagens de satélite mostram áreas devastadas que ultrapassam centenas de hectares em poucos dias, muitas delas em áreas protegidas ou terras indígenas.
Impactos climáticos e ambientais
Cientistas alertam que o avanço contínuo do desmatamento está comprometendo o equilíbrio do bioma amazônico, que funciona como regulador climático do continente sul-americano. Estima-se que mais de 20% da floresta já tenha sido degradada — e que, se o índice ultrapassar os 25%, a Amazônia poderá entrar em um “ponto de não retorno”, no qual deixaria de funcionar como floresta tropical.
“Estamos diante de uma situação crítica. A perda contínua da cobertura vegetal compromete o regime de chuvas em todo o Brasil central e sudeste, com impactos diretos na agricultura e no abastecimento de água”, afirma a climatologista Mercedes Araújo, da Universidade de Brasília (UnB).
Reações e medidas anunciadas
Diante dos dados, o Ministério do Meio Ambiente anunciou que irá reforçar o orçamento para ações de fiscalização e contratar novas equipes para atuação direta em campo. Governadores da região Norte também se comprometeram com a criação de pactos estaduais de combate ao desmatamento, incluindo parcerias com comunidades locais e povos indígenas.
Entidades internacionais, como a ONU e a União Europeia, também manifestaram preocupação. Em nota conjunta, pediram ao governo brasileiro que “mantenha seus compromissos climáticos e redobre os esforços para proteger a maior floresta tropical do planeta”.