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Ciência

Chuva de meteoros atinge pico nesta madrugada com observação a olho nu

Fenômeno Delta Aquáridas do Sul pode registrar até 25 rastros luminosos por hora no céu brasileiro, mesmo sob a interferência da Lua cheia

A madrugada desta sexta-feira (31) reserva o pico de uma das principais chuvas de meteoros do ano no Hemisfério Sul. Em condições favoráveis de observação, o fenômeno pode proporcionar a visão de até 25 meteoros por hora cortando o céu. O espetáculo pode ser acompanhado a olho nu em todo o país, sem a necessidade de telescópios ou equipamentos astronômicos específicos, tendo como melhor horário para visualização o período a partir de 1h30.

O evento principal desta época é a chuva Delta Aquáridas do Sul, provocada pela entrada de fragmentos de cometas e asteroides na atmosfera terrestre. Segundo dados da Agência Espacial Brasileira (AEB), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a taxa esperada atinge dezenas de meteoros por hora. Além da Delta Aquáridas, os observadores poderão notar rastros da Alfa Capricornídeos — conhecida por produzir meteoros mais lentos e com tonalidades visíveis — e as primeiras manifestações da Perseidas, cuja atividade de pico ocorrerá em meados de agosto.

Apesar de a Lua cheia estar presente no céu e reduzir a visibilidade dos meteoros de menor intensidade, os fragmentos mais reluzentes continuarão visíveis. O astrônomo Marcelo De Cicco, membro da Sociedade Brasileira de Astronomia e coordenador do projeto comunitário Exoss de detecção de meteoros, ressalta que a atividade do fenômeno varia naturalmente. Na madrugada anterior, entre quarta (29) e quinta-feira (30), a estação de monitoramento da Exoss instalada em Carnaubal, no Ceará, contabilizou 196 registros de meteoros, indicando uma atividade intensa para o ápice do evento.

As condições meteorológicas em diversas partes do Brasil prometem favorecer os entusiastas. De acordo com informações do Climatempo, a Região Centro-Oeste, o interior do Nordeste, o Tocantins, o leste do Pará, Minas Gerais e Goiás apresentarão céu com poucas nuvens durante a madrugada. Para garantir a melhor experiência visual, especialistas recomendam buscar locais distantes das luzes urbanas e direcionar a visão para a faixa do céu situada entre o noroeste e o leste, na direção da constelação de Aquário.

"Os meteoros das Aquariids vão parecer surgir de uma mesma direção do Céu , apontando para a constelação de Aquário, e mais precisamente da região próxima à estrela delta Aquário", explica De Cicco. As partículas penetram na atmosfera em velocidades extremas, variando entre 40 mil km/h e 260 mil km/h. Esse atrito faz com que fragmentos microscópicos, por vezes do tamanho de grãos de areia, entrem em incandescência. Quando o brilho produzido ultrapassa a luminosidade do planeta Vênus, o meteoro ganha a classificação astronômica de bólido.

Para quem pretende registrar o espetáculo celestial em fotos, a orientação técnica é posicionar a câmera em um ângulo oposto ao clarão lunar e configurar o equipamento para exposições prolongadas de cerca de 10 segundos, aliadas a um valor de ISO elevado. A observação ao ar livre não exige aparatos complexos, mas pede paciência e acomodação adequada.

Após a passagem do ápice da Delta Aquáridas do Sul, os olhares dos astrônomos se voltarão para o dia 12 de agosto, quando ocorrerá o pico da chuva de meteoros Perseidas, com melhor visualização nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.


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