Estatal avança na Margem Equatorial e inicia etapa de testes técnicos para mensurar volume comercial a 175 quilômetros da costa do Amapá
Oiapoque — A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a presença de petróleo no poço Morpho, situado na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O anúncio oficial foi conduzido pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante coletiva de imprensa realizada no município de Oiapoque, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de autoridades do governo federal.
Os trabalhos de perfuração no poço pioneiro devem se estender pelos próximos 15 a 20 dias para a conclusão das análises preliminares. Segundo Chambriard, a prioridade imediata da companhia consiste em dimensionar a extensão da reserva. "Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área", afirmou a executiva.
A constatação consolida os indícios divulgados na última sexta-feira (14), quando a empresa comunicou a detecção de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense e sob uma lâmina d'água de 2.886 metros. A confirmação decorre da interpretação de perfis elétricos e de amostras de rochas recolhidas durante a atividade em águas profundas, após visita de Lula ao navio-sonda que opera na área.
O cronograma no bloco integra uma campanha exploratória mais ampla estabelecida no Plano de Negócios 2026-2030, que projeta investimentos de US$ 2,5 bilhões para a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial. "Estão previstos mais três poços para perfuração nessa região. Além disso, há outros cinco poços em áreas adjacentes. É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", sustentou Chambriard.
A estatal detém 100% de operação do bloco FZA-M-59, ativo concedido em 2013 durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A companhia informou que "as operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas".
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) avaliou que a "descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país", destacando o impacto do ativo para a "segurança energética nacional no médio e longo prazo". A etapa corrente busca determinar o volume total do reservatório e atestar a viabilidade econômica para uma futura etapa de produção comercial.
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