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Economia

Passagem aérea avança 11% em doze meses e tarifa média supera R$ 630 no país

Pressionado pela alta internacional do combustível, bilhete doméstico chega a R$ 632,53; Latam e Gol concentram 72% do mercado nacional

São Paulo — O preço médio das passagens aéreas para voos domésticos no Brasil registrou uma alta de 11,2% em maio deste ano, atingindo o patamar de R$ 632,53. O indicador aponta um crescimento real quando comparado a maio de 2025, período em que a tarifa média se posicionava em R$ 568,96, e um avanço de 7,3% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando o bilhete custava R$ 589,34.

Os dados foram consolidados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por meio de seu monitoramento tarifário mensal. O levantamento estatístico da agência reguladora pondera estritamente os custos atrelados ao transporte regular de passageiros, isolando do cálculo as taxas de embarque aeroportuárias e outros encargos fiscais incidentes, com todos os valores devidamente deflacionados pela inflação corrente.

O detalhamento da distribuição de preços indica que cerca de metade dos bilhetes domésticos comercializados no país (49,1%) permaneceu abaixo da faixa de R$ 500. Desta fatia, pouco mais de um quinto das passagens (20,7%) custou até R$ 300, enquanto outras 28,4% flutuaram na faixa intermediária entre R$ 300 e R$ 500. Na extremidade oposta, 5,4% das passagens destinadas ao público geral ultrapassaram o teto de R$ 1.500 — o que representa uma proporção de aproximadamente uma tarifa a cada 20 bilhetes vendidos, aproximando-se do salário mínimo vigente estipulado para 2026, fixado em R$ 1.621.

A principal força de pressão inflacionária sobre as tarifas decorre do expressivo encarecimento do querosene de aviação (QAV). O mercado global de combustíveis fósseis tem enfrentado volatilidade motivada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que envolvem diretamente as relações militares entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, somadas à instabilidade no Estreito de Ormuz, canal de tráfego marítimo por onde circula aproximadamente 20% do fornecimento de petróleo consumido no planeta.

Refletindo este cenário de risco logístico internacional, dados coletados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que o preço médio do litro do QAV alcançou R$ 6,46 em maio. O montante representa uma disparada de 68,5% sobre o mesmo mês do ano anterior e uma evolução de 44,4% na comparação direta com maio de 2024.

A despeito da elevação nos preços médios, o fluxo de passageiros no mercado aéreo brasileiro manteve ritmo de expansão, contabilizando 8,3 milhões de viajantes em maio, o que representa uma alta de 2,5%. Contudo, o adensamento econômico do setor demonstrou forte assimetria corporativa, uma vez que o crescimento operacional ficou restrito à Latam e à Gol, companhias que juntas passaram a dominar 72% de todo o segmento doméstico, enquanto a Azul perdeu participação na fatia de mercado durante o período monitorado.


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