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Economia

Braskem recorre a recuperação extrajudicial sob peso de dívidas em Maceió

Maior petroquímica da América Latina busca reestruturar mais de US$ 10 bilhões com credores após colapso operacional e retração global do setor.

A Braskem formalizou o recurso à recuperação extrajudicial para reestruturar suas obrigações financeiras, marcando a etapa mais crítica de sua história corporativa. A iniciativa responde à convergência de três fatores de pressão: os custos bilionários decorrentes do desastre geológico de mineração em Maceió, a desaceleração persistente das margens no mercado petroquímico global e uma dívida consolidada que ultrapassou a capacidade de geração de caixa da companhia.

O estrangulamento financeiro tem raízes diretas na instabilidade de solo em Alagoas. A exploração de sal-gema, iniciada na década de 1970 pela antiga Salgema Indústrias Químicas, provocou rachaduras e tremores a partir de 2018, culminando na desocupação de mais de 14 mil imóveis e no deslocamento de cerca de 60 mil moradores. Confirmada a ligação entre a mineração e o fenômeno pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em 2019, a empresa despendeu mais de R$ 4,2 bilhões em reparações e indenizações, além de firmar acordos de R$ 1,7 bilhão com a capital alagoana e de R$ 1,2 bilhão com o governo estadual. Outros R$ 3,24 bilhões seguem provisionados no balanço para custos futuros.

O impacto local coincidiu com um ciclo adverso na indústria internacional de resinas e químicos. A expansão acelerada da capacidade produtiva na China — que adicionou mais de 18 milhões de toneladas anuais em 2024 — provocou excesso de oferta e queda generalizada de preços. Concomitantemente, os juros elevados e a inflação global retraíram a demanda de consumo. Diante desse descompasso, a agência Fitch estima que os spreads petroquímicos permanecerão deprimidos até pelo menos 2028. Em 2025, o EBITDA recorrente da companhia somou US$ 557 milhões, registrando retração de 49% em comparação ao exercício anterior.

A deterioração operacional elevou a dívida líquida da petroquímica a US$ 7,5 bilhões, elevando a alavancagem para 14,7 vezes a geração de caixa anual. Na B3, as ações acumularam desvalorização de cerca de 82% desde o início da crise alagoana, recuando de R$ 42,05 em fevereiro de 2018 para R$ 7,51 em junho de 2026. No exterior, a subsidiária mexicana Braskem Idesa suspendeu pagamentos de títulos e acionou o mecanismo de Chapter 11 nos Estados Unidos para equacionar compromissos de US$ 2 bilhões.

A reorganização societária teve início quando a Novonor transferiu 50,1% do capital votante ao fundo Shine I, gerido pela IG4 Capital, que passou a compartilhar o controle da operação com a Petrobras. A nova gestão tenta repactuar aproximadamente R$ 60 bilhões em passivos totais. O plano extrajudicial busca reestruturar mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,6 bilhões) relativos a operações no Brasil, Estados Unidos e Europa, contemplando um período de suspensão de cobranças de 90 dias, enquanto a Petrobras resiste a novos aportes diretos para evitar consolidar o endividamento em seus registros contábeis.

Estimativas de mercado projetam que a petroquímica demandará de três a cinco anos para reequilibrar suas bases financeiras e operacionais.


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