Os novos dados do Censo Demográfico, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (5), revelam uma realidade alarmante e profundamente preocupante em Mato Grosso do Sul. Mesmo sendo proibidas por lei e consideradas graves violações de direitos humanos, uniões envolvendo crianças de 10 a 14 anos ainda acontecem com frequência no Estado.
O levantamento mostra que 531 crianças nessa faixa etária vivem algum tipo de união — números que chocam pela dimensão e pela normalização silenciosa desse crime. A maior parte das vítimas são meninas, revelando uma vulnerabilidade ainda mais profunda e um cenário que exige resposta imediata das autoridades.
O dado expõe um problema que há anos é ignorado e que continua a crescer longe dos olhos do poder público. Especialistas alertam que essas “uniões” mascaram situações de abuso, exploração, coerção e abandono institucional, já que nenhuma criança nessa idade tem condições legais, emocionais ou psicológicas de consentir em relações dessa natureza.
O Brasil tipifica relações com menores dessa idade como crime. Mesmo assim, o número revelado pelo IBGE coloca Mato Grosso do Sul em estado de alerta máximo.
Trata-se de um retrato duro da realidade social, que exige investigação, responsabilização e políticas contundentes de combate à exploração infantil.