Voltar para início
Economia

Alimentos registram forte oscilação no primeiro semestre e inflação oficial desacelera para 0,16% em junho

Preços do grupo de alimentos e bebidas recuam no mês, mas tubérculos e hortaliças acumulam altas de até três dígitos na primeira metade de 2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), balizador oficial da inflação no país, registrou uma desaceleração expressiva na passagem de maio para junho de 2026, fechando o mês em 0,16%. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o recuo geral foi impulsionado pelo grupo de alimentos e bebidas, que registrou queda de 0,24% e ofereceu um alívio ao orçamento doméstico após o avanço acentuado de 1,33% verificado no mês anterior. Com o resultado, a inflação acumulada no ano atinge 3,36%.

A dinâmica interna do setor de alimentos revelou um comportamento misto. A alimentação no domicílio apresentou deflação de 0,39% em junho. Itens de consumo frequente, como o café moído (-3,72%), as frutas em geral (-1,58%) e as carnes (-0,64%), registraram variações negativas que ajudaram a puxar o índice para baixo. Em contrapartida, produtos de primeira necessidade, como o feijão-carioca (+8,31%) e a batata-inglesa (+3,57%), mantiveram trajetórias de encarecimento. No segmento de alimentação fora de casa, o ritmo de reajustes também perdeu força, variando 0,15% frente aos 0,49% do período anterior.

Apesar do alívio marginal detectado no fechamento mensal, o balanço consolidado do primeiro semestre de 2026 expõe distorções severas nos preços de produtos hortifrutigranjeiros. Gargalos sazonais e de oferta pressionaram fortemente o comércio de legumes e verduras. O pepino liderou a cesta de aumentos com uma alta expressiva de 155,47% na primeira metade do ano, seguido de perto pela cenoura, que subiu 103,14%. O tomate (+82,41%), a batata-inglesa (+82,11%), o morango (+60,97%) e a cebola (+53,34%) completam a lista das pressões inflacionárias mais agudas acumuladas de janeiro a junho.

Por outro lado, o segmento de fruticultura de clima tropical e citros proveu as principais compensações deflacionárias no semestre. O preço do abacate liderou as reduções no mercado nacional, recuando 41,3% no acumulado dos primeiros seis meses do ano. As variedades cítricas também registraram quedas substanciais no período, com destaque para a laranja-baía, cujo valor médio nas prateleiras encolheu 32,81%, e a laranja-lima, com retração de 23,36%.

Embora o grupo de alimentos tenha exercido o maior impacto negativo no índice geral de junho, analistas do setor privado alertam que a sustentabilidade dessa trajetória dependerá da estabilização climática nas fronteiras agrícolas e da redução de custos de insumos logísticos. A persistência de pressões em segmentos estruturais, como habitação — que subiu 0,63% sob o impacto das tarifas de energia elétrica —, sinaliza que o cenário macroeconômico exige cautela, mantendo o acumulado inflacionário dos últimos doze meses em 4,64%.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Anuncie aqui Alcance leitores em todo o Brasil. Fale com o comercial do BR Times.
Alimentosalta de alimentoshortaliçasIBGEInflaçãoIPCAtubérculos
Compartilhar: