Impulsionada por aumento de impostos (IOF, Bets, Combustíveis) e expansão econômica, receita teve alta real de 3,65% em relação a 2024.
A Secretaria da Receita Federal divulgou nesta quinta-feira (22) que a arrecadação de impostos e contribuições atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 1995. Em 2025, o governo federal arrecadou um total de R$ 2,88 trilhões.
Quando corrigido pela inflação, o valor sobe para R$ 2,93 trilhões, representando um crescimento real de 3,65% na comparação com o ano anterior (R$ 2,82 trilhões).
O que explica o recorde?
Segundo o Fisco, o resultado é fruto de uma combinação entre o aquecimento da atividade econômica (produção industrial, vendas, massa salarial e importações) e um pacote robusto de medidas arrecadatórias aprovadas pelo Congresso.
As principais ações que elevaram a receita foram:
- Fundos Exclusivos e Offshores: Tributação de alta renda e investimentos no exterior.
- Combustíveis: Manutenção do aumento de impostos iniciado em 2023.
- Compras Internacionais: Implementação da “taxa das blusinhas” para encomendas do exterior.
- Setor de Eventos: Fim dos benefícios fiscais do Perse.
- Folha de Pagamento: Reoneração gradual de 17 setores da economia.
- Decisões Judiciais: Limitação no pagamento de precatórios e retomada do voto de qualidade no Carf.
Destaques: A explosão do IOF e das Bets
Dois tributos chamaram a atenção pelo crescimento expressivo em 2025:
- IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): Bateu recorde histórico, somando R$ 86,5 bilhões. O aumento real foi de 20,5%, impulsionado por decisões do STF que validaram o aumento de alíquotas em diversas operações de crédito e câmbio.
- Apostas Esportivas (“Bets”): A regulamentação e tributação do setor geraram R$ 9,95 bilhões aos cofres públicos. Para comparação, em 2024, a arrecadação com esse item havia sido de apenas R$ 91 milhões.
Impacto nas Contas Públicas (Meta Fiscal)
A arrecadação recorde é a principal aposta do governo para tentar zerar o déficit fiscal. Embora o resultado final das contas de 2025 ainda não tenha sido divulgado, as regras do arcabouço fiscal permitem certa flexibilidade:
- Meta: Déficit zero.
- Margem de Tolerância: O governo pode ter um déficit de até R$ 31 bilhões (0,25% do PIB) sem descumprir a meta.
- Despesas Fora da Meta: Somando exceções legais (como pagamento de precatórios e créditos extraordinários), o rombo real pode chegar a cerca de R$ 75,4 bilhões sem configurar infração fiscal.
Apesar do recorde de receitas, o Tesouro Nacional prevê que as contas públicas permaneçam no vermelho até 2027, mantendo a pressão sobre a dívida pública.