ÚLTIMAS DO MUNDO
Sem notícias de Mundo no momento.
Ver tudo em Mundo
EXPLORE POR CATEGORIA
Voltar para início
Atualidades

Vinho mais barato e exportações facilitadas: veja os impactos do acordo UE-Mercosul para o Brasil

Consumidores brasileiros podem ter acesso a produtos europeus como azeites e carros com preços reduzidos a médio prazo; setores produtivos vislumbram acesso a tecnologia mais barata.

Com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) entrando em sua reta final após mais de 25 anos de negociações, especialistas já projetam as mudanças no fluxo de mercadorias e no bolso dos brasileiros. O tratado, que engloba um mercado de 720 milhões de consumidores e 25% do PIB global, promete impactar desde o consumo doméstico até a indústria e o agronegócio.

Segundo Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Unifesp, o efeito mais palpável para o consumidor final será a maior presença de produtos europeus nas prateleiras. “A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”, afirma.

Estimativas do Ipea apontam que o Brasil será o principal beneficiado, com um potencial aumento de 0,46% no PIB até 2040 — crescimento superior ao projetado para os demais parceiros do Mercosul e para o bloco europeu.

O que fica mais barato?

Itens como vinhos, queijos, lácteos, azeites, chocolates e algumas bebidas destiladas devem ter seus preços reduzidos gradualmente devido à eliminação de tarifas. Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria, explica que, embora o Brasil já seja um grande comprador de produtos de alto valor agregado da UE, a expectativa é de queda nos preços a médio e longo prazo.

No setor automotivo, carros importados da Europa, atualmente taxados em 35%, deverão ter essa alíquota zerada em até 15 anos. Contudo, Provazzi alerta que a redução de preços será gradual, podendo levar de dois a três anos para ser sentida em bens complexos como veículos, devido à dependência de cadeias globais de componentes.

Além de bens de consumo, medicamentos e produtos farmacêuticos (incluindo veterinários) — que hoje representam mais de 8% das importações vindas da UE — também integram a lista de itens impactados.

Tecnologia e Produção

Para o setor produtivo, o acordo deve facilitar a modernização. A eliminação de tarifas sobre bens de capital e insumos tende a baratear o acesso a tecnologias europeias. Leonardo Munhoz, pesquisador da FGV, exemplifica o impacto no campo: “Máquinas, equipamentos e tratores, assim como produtos químicos, fertilizantes e implementos agrícolas, além de drones e sistemas de agricultura de precisão, devem ter custos menores para os produtores”.

Essa lógica se estende à indústria, que poderá importar manufaturados e tecnologia com menor custo. Bressan destaca que exportar produtos de maior valor agregado para a Europa pode gerar mais empregos qualificados do que a venda de commodities para outros mercados.

Exportações e Risco de Alta de Preços

O tratado abre portas para o aumento das exportações brasileiras de frutas, calçados e produtos agrícolas.

  • Calçados: As tarifas atuais de 3% a 7% na UE devem ser zeradas em até quatro anos.
  • Uvas: A taxa de 14% será eliminada imediatamente após a vigência do acordo.

A Apex projeta um acréscimo de R$ 7 bilhões nas exportações brasileiras. Embora a balança comercial recente mostre uma leve vantagem europeia (exportaram US$ 50,3 bilhões para o Brasil contra US$ 49,8 bilhões importados), o potencial de crescimento é vasto.

Sobre o risco de aumento de preços internos devido ao direcionamento da produção para exportação, Rodrigo Provazzi tranquiliza: “Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”. Ele argumenta que, mesmo com maior exportação, os setores encontram substitutos rapidamente, mantendo o equilíbrio.

Munhoz, da FGV, pondera que os ganhos não serão automáticos ou homogêneos para todos os setores, mas acredita em um efeito cascata no agronegócio, beneficiando desde grandes produtores até os pequenos que exportam via tradings. “O grande exporta diretamente, mas o pequeno depende de uma trader para vender. Assim, todos os elos da cadeia acabam sentindo os benefícios”, conclui.

Anuncie aqui Alcance leitores em todo o Brasil. Fale com o comercial do BR Times.
ApexCalçadosCarneMercosulQueijoUE-MercosulUnião EuropéiaUvaVinho
Compartilhar: