A prisão do ex presidente Jair Bolsonaro foi mantida após audiência de custódia realizada neste domingo em Brasília, em mais um capítulo do que grande parte da direita já enxerga como perseguição política aberta contra o principal líder da oposição no Brasil.
Durante a oitiva, Bolsonaro explicou à Justiça que em nenhum momento teve intenção de fugir ou descumprir medidas cautelares. Ele relatou que tentou mexer na tornozeleira eletrônica após um surto provocado por medicamentos, em meio ao forte abalo emocional e físico que vem sofrendo desde que foi levado para a carceragem. O ex presidente negou de forma firme qualquer plano de evasão ou quebra deliberada das regras impostas.
Mesmo com a explicação, a juíza auxiliar Luciana Sorrentino decidiu manter a prisão preventiva. Na prática, a decisão ignora o histórico do ex chefe de Estado, que sempre compareceu a todos os compromissos judiciais, nunca se escondeu das autoridades e continua residindo no país, à vista de todos, como qualquer cidadão que confia no devido processo legal.
Para apoiadores, o recado é claro. Enquanto criminosos confessos, corruptos históricos e aliados do governo atual seguem em liberdade ou até ocupando cargos públicos, o presidente que recebeu mais de 50 milhões de votos é mantido atrás das grades em um processo marcado por exageros, espetacularização e um clima de vingança política.
Juristas ligados ao campo conservador ressaltam que a prisão preventiva deveria ser uma medida extrema, usada apenas em casos de real risco à ordem pública ou perigo concreto de fuga. No caso de Bolsonaro, que possui endereço fixo, é figura pública conhecida no mundo inteiro e sempre se colocou à disposição das autoridades, a manutenção da custódia é vista como desproporcional e abusiva.
Nas redes sociais, parlamentares, lideranças da direita e milhões de brasileiros manifestam indignação e tristeza ao ver o ex presidente sendo tratado como inimigo a ser destruído, e não como alguém que tem direito à ampla defesa e ao contraditório. A narrativa de “surto” por remédios e o suposto risco de fuga são apontados como mais um argumento frágil para sustentar uma prisão que, para boa parte da população, já nasceu política.
A defesa deve recorrer da decisão e insistir para que Jair Bolsonaro responda em liberdade, como determinam os princípios básicos do Estado de Direito. Enquanto isso, a imagem que fica é a de um país em que a Justiça pesa a mão contra quem ousa enfrentar o sistema, ao mesmo tempo em que afrouxa completamente quando o investigado é aliado do poder de plantão.