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Jovem espera mais de quatro horas na rede pública do DF para realocar mandíbula deslocada

Brasília (DF) – A realidade do sistema de saúde pública no Brasil frequentemente cobra um preço alto do pagador de impostos, transformando incidentes corriqueiros em verdadeiras sagas burocráticas. Um vídeo que viralizou nas redes sociais ilustra com clareza o nível de desamparo enfrentado pelas famílias brasileiras: o caso de Felipe Santos Firmino, de 14 anos, morador do Distrito Federal, que sofreu por mais de quatro horas após sua mandíbula sair do lugar.


O episódio ocorreu na última quinta-feira (27), por volta das 12h40. De acordo com os relatos de Matteus Santos Firmino, de 21 anos, irmão da vítima, o adolescente havia retornado mais cedo da escola e repousava no sofá da sala ao lado da mãe. Ao bocejar, a mandíbula travou instantaneamente. "Quando ele foi bocejar, a boca dele simplesmente travou. Ele não conseguia falar, apenas gritar", detalhou Matteus.

O que deveria ser uma intervenção médica rápida escalou para um cenário de agonia prolongada. Dominado por dores extremas, Felipe chegou a desmaiar e enfrentou crises de vômito enquanto aguardava que a máquina estatal funcionasse. O alívio só veio às 17h, escancarando a lentidão do atendimento na rede pública.

O Abandono Regional e a Falta de Especialistas

A família reside em São Sebastião, uma região administrativa do Distrito Federal que, apesar de contribuir com impostos, padece com a ausência de um hospital público local. Obrigado a se deslocar em busca de socorro, o jovem foi inicialmente levado ao Hospital Regional do Paranoá.

Na unidade, a ineficiência logística da gestão pública ficou evidente. Felipe recebeu a classificação de risco com a pulseira laranja e foi submetido a exames de raio-x e tomografia. Contudo, a estrutura provou-se inócua: o hospital não dispunha de um especialista bucomaxilo — o cirurgião-dentista especializado em cirurgia e traumatologia da boca, dos maxilares e da face — de plantão para realizar o procedimento necessário.

"Ele começou a passar muito mal, começou a ter crise, muita dor", relembrou Matteus, destacando o desespero de ver o irmão desassistido mesmo após dar entrada na unidade hospitalar.

Deslocamento e Recuperação

Diante da falta de profissionais capacitados no Paranoá, a direção do hospital precisou acionar uma ambulância para transferir o adolescente até o Hospital de Base, situado na Asa Sul. Foi apenas nesta segunda unidade que um especialista, enfim, colocou a mandíbula do garoto no lugar, encerrando o calvário.

Após a alta, Felipe manteve repouso em casa entre a quinta-feira (27) e a segunda-feira (31). Agora, o jovem se recupera bem e já retomou a sua rotina de estudos, embora o trauma físico e psicológico gerado pela longa espera continue presente.

"Ele ainda está com medo de bocejar e cair de novo, que ele lembra da dor. Ele, às vezes, só sente quando abre muito a boca, mas ele está bem agora; voltou a estudar", concluiu o irmão, Matteus.

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DFparanoá
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