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Quinta-feira, 18 de junho de 2026

Relatório aponta avanço do aquecimento global e alerta para redução do tempo de reação diante das mudanças climáticas

AtualidadesRelatório aponta avanço do aquecimento global e alerta para redução do tempo de reação diante das mudanças climáticas

Um novo relatório internacional indica que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas atingiu 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025. De acordo com os pesquisadores, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam no ritmo atual, o planeta poderá ultrapassar o limite de 1,5°C por volta de 2030.

Os dados fazem parte da mais recente edição dos Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC), iniciativa científica que atualiza anualmente os principais parâmetros utilizados para monitorar a evolução das mudanças climáticas no mundo.

Estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015, o limite de 1,5°C é considerado uma referência internacional para reduzir os impactos associados ao aumento da temperatura global em relação ao período pré-industrial.

O estudo reúne mais de 70 pesquisadores de 17 países e tem como objetivo fornecer atualizações periódicas entre os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), oferecendo uma análise mais atual do cenário climático global.

Segundo os autores, um dos principais sinais de alerta é que a Terra continua acumulando calor em ritmo acelerado. Na prática, isso significa que mais energia permanece retida no sistema climático do que é liberada para o espaço, contribuindo para o aumento das temperaturas e influenciando fenômenos que afetam oceanos, geleiras e diferentes ecossistemas ao redor do planeta.

Os cientistas estimam que praticamente todo o aquecimento registrado na última década tem origem em atividades humanas. Entre 2016 e 2025, a média do aquecimento atribuída à ação humana foi de 1,24°C, valor muito próximo da temperatura total observada no período.

O levantamento também mostra que as emissões globais de gases de efeito estufa continuam em níveis historicamente elevados. Em 2024, foram registradas 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. O desmatamento, a agropecuária e atividades industriais também aparecem entre as fontes relevantes de emissões.

Orçamento de carbono diminui rapidamente

Outro dado que preocupa os pesquisadores envolve o chamado orçamento de carbono, indicador que estima quanto dióxido de carbono ainda pode ser emitido antes que determinados limites de aquecimento global sejam ultrapassados.

Segundo o estudo, no início de 2026 restavam aproximadamente 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis para manter a meta de 1,5°C ao alcance. Mantido o atual ritmo de emissões, esse volume poderá ser totalmente consumido em cerca de três anos.

Embora o registro de um único ano acima de 1,5°C não represente automaticamente o descumprimento da meta estabelecida pelo Acordo de Paris, os cientistas alertam que a tendência observada atualmente aproxima o planeta de ultrapassar esse patamar de forma permanente.

Ondas de calor marinhas aumentam

Pela primeira vez, o relatório também incluiu um indicador relacionado às ondas de calor marinhas. Os pesquisadores constataram que a quantidade de dias com esse tipo de fenômeno mais do que triplicou entre 1991 e 2025.

O avanço desses eventos tem sido acompanhado com atenção pela comunidade científica devido aos impactos sobre a biodiversidade marinha, a pesca, os recifes de coral e os padrões climáticos em diversas regiões do mundo.

Os dados reforçam o alerta de que as mudanças climáticas seguem avançando e que o espaço para conter níveis mais elevados de aquecimento global continua diminuindo rapidamente.

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