O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou novos contornos em Brasília após lideranças do PL defenderem publicamente mudanças mais amplas no atual modelo trabalhista. Durante discussões recentes sobre a PEC que trata do fim gradual da escala 6×1, parlamentares ligados ao partido passaram a mencionar até mesmo a possibilidade futura de uma escala 4×3 — com quatro dias de trabalho e três de descanso.
Nos bastidores do Congresso, a movimentação é interpretada como uma tentativa da oposição de ampliar o diálogo com trabalhadores e disputar espaço político em uma pauta que vinha sendo associada majoritariamente à esquerda.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, já havia sinalizado apoio à PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece a adoção gradual da escala 5×2. Agora, integrantes da legenda passaram a defender que a oposição também apresente propostas voltadas à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
A estratégia busca aproximar o discurso conservador de temas populares entre o eleitorado, especialmente em um momento em que pesquisas apontam apoio significativo da população à redução da carga horária de trabalho.
A proposta principal ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados e enfrenta resistência de setores empresariais preocupados com possíveis impactos econômicos e aumento de custos operacionais. Por outro lado, defensores argumentam que modelos com jornadas reduzidas já vêm sendo testados em diversos países, com ganhos em produtividade e qualidade de vida.
A comissão especial responsável pela análise da PEC deve retomar a votação nos próximos dias após pedido de vista do deputado Mauricio Marcon.

