Enxurrada torrencial destruiu pontes, vilarejos e instalações portuárias após tremor de terra na cordilheira do Himalaia
Uma avalanche de grandes proporções atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e o território do Tibete, administrado pela China, nesta quarta-feira (26), deixando um rastro de destruição, 98 mortes confirmadas e 844 pessoas desaparecidas. A torrente de lama e detritos desceu pelos vales montanhosos, engolindo vilarejos inteiros, destruindo pontes e submergindo estruturas portuárias em uma importante rota comercial e turística da cordilheira do Himalaia.
O impacto mais severo foi registrado em território nepalês, onde as autoridades contabilizam 95 mortos e 579 desaparecidos. Do lado tibetano, foram confirmados três óbitos e 265 pessoas sem paradeiro conhecido. Entre as vítimas desaparecidas no Tibete estão oito trabalhadores sul-coreanos alocados em uma usina hidrelétrica no condado de Gyirong. A tragédia também atingiu em cheio o setor de viagens: o Conselho de Turismo do Nepal informou o desaparecimento de 384 viajantes no país, dos quais 341 são estrangeiros. Até a mais recente atualização, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não havia emitido comunicado sobre a eventual presença de brasileiros na região.
O epicentro do desastre afetou severamente o distrito nepalês de Rasuwa, que abriga cerca de 50 mil habitantes, além do vilarejo de Syabrubesi — ponto de partida da rota de trekking do vale de Langtang e passagem para a peregrinação hindu ao lago sagrado Kailash Mansarovar. No leito do Rio Trishuli, residências e automóveis foram arrastados pelas águas lamacentas, que também destruíram uma ponte metálica. Na margem chinesa, as instalações do porto de Gyirong, situadas na aldeia de Resuo às margens do rio Kyirong Tsangpo, foram soterradas pela correnteza de lama.
A dimensão da tragédia na região foi relatada à agência Reuters por Tula Bahadur BK, profissional de saúde atuante no distrito de Rasuwa: "Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos".
Equipes de emergência trabalham em condições geográficas adversas para localizar sobreviventes. O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, mobilizou tropas policiais e militares para reforçar as operações de socorro, enquanto o Exército nepalês confirmou o resgate de ao menos 88 pessoas nas primeiras horas após o colapso.
As autoridades locais investigam os fatores que desencadearam a catástrofe. Um abalo sísmico de magnitude 4,4 foi registrado na área apenas sete minutos antes do início do deslizamento, levantando a hipótese de que o tremor tenha provocado uma inundação por rompimento de lago glaciar (GLOF, na sigla em inglês). A cadeia dos Himalaias, que abriga oito dos 14 picos mais altos do planeta, enfrenta rápida retração e derretimento de geleiras, o que eleva a formação e o volume de lagos glaciares no Tibete que desaguam na rede hidrográfica nepalesa durante a temporada de monções.
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