Piloto busca acesso a testes clínicos para frear a doença de Creutzfeldt-Jakob, mas participação com aplicação do medicamento ainda não está garantida
O Ministério da Saúde formalizou nesta terça-feira (25) um pedido para incluir o piloto e influenciador Joselito Geraldo de Sousa, de 59 anos, conhecido como Lito Sousa, na etapa inicial do estudo clínico experimental PRiSM. A pesquisa é coordenada pelo Broad Institute, centro de investigação científica vinculado à Universidade Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Lito busca alternativas terapêuticas contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura conhecida.
A mobilização da família teve início após o agravamento dos sintomas neurológicos. O influenciador já apresenta perda de visão e de mobilidade, dependendo do auxílio de cuidadores e de atendimento médico em sua residência. Diante da velocidade de deterioração do quadro, seus familiares mapearam duas pesquisas em território norte-americano voltadas a reduzir a produção da proteína príon, codificada pelo gene PRNP, responsável pela destruição de neurônios.
A primeira opção analisada foi o ensaio com a molécula ION717, conduzido pela farmacêutica Ionis Pharmaceuticals, que utiliza a tecnologia de oligonucleotídeos antisense (ASO). Apesar de se tratar da pesquisa em estágio mais maduro, a farmacêutica informou que o recrutamento de voluntários foi encerrado e que o fármaco não está disponível para acesso expandido ou uso compassivo.
A atenção voltou-se, então, ao ensaio PRiSM, que avalia a segurança de uma abordagem com RNA de interferência em um contingente de 15 participantes. Em posicionamento público, o Broad Institute afirmou: "Não sabemos se podemos ajudar, mas vamos tentar." No entanto, a oferta inicial da instituição contemplava a inserção de Lito em um grupo de controle — no qual os voluntários realizam exames e acompanhamento periódico sem a administração da substância em teste. A empresária Mila Seidl, esposa do influenciador, recusou a alternativa por demandar permanência no exterior sem acesso ao medicamento.
Para tentar viabilizar a administração da substância, a gestão federal atuou nos canais diplomáticos e institucionais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o secretário-executivo, Adriano Massuda, mantiveram tratativas com os pesquisadores responsáveis. "Apoiamos a busca de centros de pesquisa e estudos sobre a doença, assim como formalizamos a solicitação da inclusão de Lito na fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, em Harvard", declarou Padilha. Em resposta à pasta, os coordenadores informaram que o paciente foi colocado na lista de espera para triagem técnica.
A inclusão na triagem, contudo, não assegura vaga para receber a terapia experimental. Os critérios de seleção dependem de protocolos rígidos aprovados pela agência reguladora Food and Drug Administration (FDA). Segundo Bruno Solano, médico pesquisador do IDOR Ciência Pioneira e da Fiocruz, o tamanho da amostra e os requisitos são pré-fixados. "O paciente tem que ter todos os critérios de inclusão e de exclusão que já foram aprovados pelas instituições regulatórias para aquele estudo", destacou o especialista, ressaltando a urgência clínica inerente a enfermidades letais de rápida progressão.
A família também recorreu ao Ministério das Relações Exteriores em busca de interlocução internacional. Atualmente, nenhum país dispõe de tratamento curativo aprovado para a doença de Creutzfeldt-Jakob, permanecendo a assistência concentrada no alívio de sintomas e no suporte clínico multidisciplinar.
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