Projeto promete reduzir dependência externa de matéria-prima, mas primeiros quatro anos serão restritos às etapas pré-clínicas
O Brasil inaugurou nesta sexta-feira um centro de pesquisa voltado ao desenvolvimento de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) a partir da biodiversidade nacional, com o objetivo declarado de mitigar a dependência de matérias-primas importadas. Apesar do aporte inicial de R$ 60 milhões, o projeto foi lançado sem prazos para a entrega de produtos ao mercado ou metas quantitativas para a redução das importações.
O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) será abrigado nas instalações do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), no município paulista de Campinas. Os recursos foram viabilizados em uma composição financeira entre o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
De acordo com o cronograma apresentado, os quatro primeiros anos da iniciativa serão consumidos exclusivamente por fases iniciais de investigação laboratorial, etapa que precede qualquer teste clínico em seres humanos. O foco será o mapeamento de moléculas com potencial terapêutico extraídas da flora, fauna e microrganismos brasileiros.
O problema estrutural que o centro tenta combater expõe uma fragilidade da economia de saúde do país. Embora o Brasil possua parque industrial para a montagem e embalagem final dos medicamentos, a substância que efetivamente gera o efeito terapêutico — o IFA — vem majoritariamente do exterior. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), mais de 90% dos insumos utilizados pelas indústrias nacionais são importados, proporção que atinge 95% em segmentos específicos do setor.
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