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Política

Sob medidas de Moraes, Flávio Bolsonaro vira alvo de apurações sobre suposta viagem aos EUA

Senador é proibido de deixar o país após investigações sobre suposta viagem aos EUA

BRASÍLIA — O ambiente político nacional mergulhou em nova escalada de tensão poucas horas após o desfecho do segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se o centro das atenções em Brasília após relatos da imprensa internacional e nacional apontarem uma apuração sobre sua suposta saída do país em direção aos Estados Unidos, no exato momento em que passou a ser alvo de medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para lideranças conservadoras e parlamentares da oposição, a velocidade com que ordens restritivas foram emitidas logo após a apuração das urnas evidencia o uso do aparato judiciário para asfixiar politicamente o principal polo oposicionista do país.

O estopim da crise ocorreu nesta segunda-feira, quando Flávio foi abordado por agentes da Polícia Federal em via pública, ao sair da casa de seu pai, para ser notificado de uma ordem de Alexandre de Moraes. A determinação impôs a retenção de seus passaportes e a proibição expressa de deixar o território nacional.

Segundo o próprio senador, a decisão teria sido motivada de forma desproporcional por declarações públicas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que reside no exterior. Flávio repudiou a ordem e questionou o timing da Suprema Corte:

"Isso aconteceria se eu tivesse ganhado a eleição? Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e me defender dessa aberração", declarou o parlamentar, denunciando o viés político das medidas imediatas tomadas pela Corte.

A tensão se intensificou após publicações divulgarem que o senador teria atravessado a fronteira com a Argentina apresentando documento de identidade regular e, a partir de Puerto Iguazú, embarcado em um voo privado com destino final previsto para a Flórida, nos Estados Unidos.

Nos bastidores da oposição e da coordenação política, a narrativa de fuga é veementemente contestada. O senador Rogério Marinho (PL-RN) e integrantes da equipe desmentiram que Flávio tenha deixado o Brasil, classificando os boatos como cortina de fumaça. A Polícia Federal abriu verificações para checar a cronologia de deslocamentos e dados migratórios em postos fronteiriços e voos privados.

Caso o deslocamento aos EUA se confirme, o senador deve somar forças à bancada de oposição no exterior, denunciando perante fóruns internacionais e lideranças conservadoras americanas os abusos de autoridade e a perseguição judicial contra opositores no Brasil.

Enquanto o Judiciário mobiliza restrições contra lideranças da direita, a cúpula do Partido Liberal (PL) estrutura ações para questionar irregularidades e desequilíbrios cometidos pelo grupo governista durante a campanha. Em vez de contestar formalmente a anulação completa do pleito — medida considerada juridicamente sensível por aliados como o governador Tarcísio de Freitas —, a equipe jurídica do partido decidiu ingressar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O processo pedirá a cassação da chapa petista com base em abuso de poder econômico, uso indevido da máquina pública e disparidades registradas durante o processo de votação.

O episódio consolida o recado de que a oposição não capitulará diante da pressão dos tribunais, mantendo a firmeza na cobrança de transparência e no combate aos excessos autoritários em Brasília.


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