Levantamentos históricos do Datafolha e da Quaest revelam oscilações entre emprego, corrupção, saúde e segurança pública como principais aflições nacionais.
Ao longo das últimas três décadas, os levantamentos de opinião pública no Brasil têm documentado de forma contínua as demandas, urgências e anseios do eleitorado. Por meio de metodologias espontâneas, institutos como Datafolha e Quaest acompanham as transformações nas preocupações do cidadão, traçando um panorama direto da evolução dos desafios sociais e econômicos do país.
O Datafolha aplica desde 1996 a mesma sondagem presencial com pessoas de 16 anos ou mais para apontar o principal entrave nacional. O formato dispensa alternativas prévias, como detalha a diretora do instituto, Luciana Chong: "não é apresentado para o entrevistado nenhuma lista de problemas. E aí a pessoa responde, espontaneamente, aquilo que está incomodando a sua vida hoje". No final dos anos 1990, o desemprego liderava as respostas. A partir de 2008, a saúde assumiu com frequência o topo, enquanto a corrupção alcançou o primeiro lugar no fim de 2015. Na pesquisa de junho de 2026, a saúde voltou ao topo das citações, acompanhada pela violência e, em seguida, pela economia.
A educação permaneceu entre as cinco maiores preocupações dos eleitores ao longo de todo o período, registrando apelo expressivo entre os jovens e as faixas de maior escolaridade. Paralelamente, a série histórica de cinco anos da Quaest indica movimentações semelhantes. A saúde liderava as queixas em julho de 2021, dando lugar à economia em novembro do mesmo ano. A violência passou a liderar as menções em janeiro de 2025 e se manteve no topo em agosto de 2026, seguida por problemas sociais e corrupção, com a educação figurando entre as seis principais preocupações.
Para o diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Nunes, os dados revelam expectativas pragmáticas por parte da sociedade: "O que a gente identifica nas pesquisas é que o país que as pessoas desejam é um país muito concreto. Ou seja, há problemas muito reais, que tocam diretamente a vida das pessoas". Nunes ressalta ainda os desafios da "geração.com", marcada pelas transformações tecnológicas e pelas incertezas decorrentes do avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho.
As prioridades também exibem recortes regionais bem delimitados. Enquanto a segurança e a saúde sobressaem no Nordeste e a segurança lidera no Sudeste, o Sul registra maior ênfase na área da saúde. Diante das urnas, a avaliação das propostas segue guiada por uma busca de aprimoramento institucional, conforme sintetiza Nunes: "quando a gente escuta as pessoas nas pesquisas principalmente qualitativas, fica muito evidente como as pessoas querem acreditar em mudanças, melhoras, aprimoramento. Porque elas, acima de tudo, acreditam no Brasil".
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