Brasília – 2 de julho de 2025 | BR Times
Em uma declaração que expõe a crescente dependência do Poder Executivo em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em tom direto:
“Se eu não for à Suprema Corte, eu não governo mais o país.”
A fala ocorreu em meio à polêmica envolvendo o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cujo decreto foi recentemente derrubado pelo Congresso Nacional. O governo, insatisfeito com a decisão do Legislativo, decidiu acionar o STF para tentar restaurar a medida.
Lula afirmou que, ao ter seu decreto rejeitado, a solução é recorrer ao Judiciário, revelando a estratégia de governar com base em decisões da Corte:
“Cada macaco no seu galho. Eles [o Congresso] legislam, e eu governo. Se eu não gostar [da decisão], eu vou ao Judiciário. Qual é o erro nisso?”
📉 Crise entre os Poderes e o IOF
A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou, nesta terça-feira (1º), uma ação no STF para tentar restabelecer o decreto que aumentava a alíquota do IOF. O governo nega que se trate de aumento de imposto e argumenta que foi apenas um “ajuste tributário”. A AGU também acusa o Congresso de violar o princípio da separação de Poderes.
No entanto, parlamentares reagiram mal à investida do Planalto e apontam que Lula ignora o papel do Congresso ao tentar impor sua vontade via STF — o que, na prática, contorna a democracia representativa.
⚠️ Lula critica presidente da Câmara e expõe bastidores de acordo
Lula classificou como “absurda” a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, que liderou a derrubada do decreto. Ele revelou que havia um acordo fechado “num domingo à meia-noite”, na casa de Motta, com a presença de ministros e deputados.
“O erro, na minha opinião, foi o descumprimento de um acordo que tinha sido feito… Chega na terça-feira, o presidente da Câmara tomou uma decisão absurda.”
Ainda segundo Lula, a reunião teria sido marcada por clima amistoso, com trocas de abraços, elogios e promessas de apoio entre governo e aliados.
“Nunca vi tanto abraço, tanto carinho, tanta concordância”, ironizou o Presidente.