Benefício médio sobe para R$ 777 em outubro; oposição promete acionar a Justiça Eleitoral contra a medida, que não estava prevista no Orçamento.
Brasília — A 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. A medida, que entra em vigor em outubro, elevará o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 e alcançará 19,3 milhões de famílias brasileiras.
A decisão coincide com um cenário de acirramento na disputa pelo Palácio do Planalto. Embora liderando a mais recente pesquisa Quaest para a primeira rodada de votação marcada para 4 de outubro, o presidente tem registrado o avanço de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), configurando um empate técnico nas projeções de segundo turno. Em reação imediata, aliados de Bolsonaro declararam que contestarão o reajuste na Justiça Eleitoral.
O aumento de despesa gerou questionamentos porque a proposta de Orçamento para 2027, enviada ao Legislativo no final de agosto, não contemplava a alteração nos valores do programa. Abordado sobre a mudança de rota em menos de um mês, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, rechaçou vinculação com o calendário eleitoral.
"Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro", argumentou o ministro. "Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade".
Segundo a pasta, o espaço fiscal foi identificado após revisão de dados no relatório trimestral que será divulgado no fim de setembro, associado ao monitoramento de despesas obrigatórias. A alteração atende a um pedido do Ministério do Desenvolvimento Social. "Recebendo recente os dados, temos esse espaço e é possível", concluiu Moretti.
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