Senador perdeu segundo turno das eleições presidenciais no domingo (25) e descumpriu ordem do STF para entregar o passaporte
O Departamento de Estado dos Estados Unidos concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e à sua família, permitindo a entrada deles no país, segundo informou uma autoridade do órgão à repórter da TV Globo Raquel Krähenbühl. O governo Trump não confirmou se o senador já está em território americano.
A agência de notícias Reuters e o jornal The New York Times informaram mais cedo, citando fontes anônimas, que Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. O caso é investigado pela Polícia Federal.
Flávio concorreu à Presidência da República pelo Partido Liberal e discursou após perder o segundo turno das eleições, no domingo (25), em Brasília. Dois dias depois, a possível saída do país ganhou contornos de crise institucional.
Nas primeiras horas desta terça-feira, o jornal argentino Infobae publicou que o senador teria deixado o Brasil pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina, usando seu documento de identidade. De lá, segundo a reportagem, ele seguiria para os Estados Unidos a bordo de um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly S.A.
O site de monitoramento aéreo FlightRadar24 registrou que a aeronave voou de Buenos Aires a Puerto Iguazú e chegou à cidade às 23h45, no horário de Brasília. Segundo os registros do serviço, porém, o avião não deixou Puerto Iguazú desde então — o que deixa em aberto se Flávio chegou a embarcar nele ou trocou de aeronave para seguir viagem.
O relato argentino, no entanto, não se confirmou nos controles oficiais. Nesta terça pela manhã, o órgão de imigração do governo argentino informou que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. A informação é compatível com dados da Polícia Federal revelados pelo blog da jornalista Andréia Sadi: não existe registro de passagem do senador por nenhum ponto regular de controle migratório brasileiro.
O imbróglio tem origem em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na noite de domingo (25), Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O senador descumpriu a ordem e não os entregou dentro do prazo, encerrado às 11h desta terça-feira.
A decisão judicial integra um processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e casas de apostas on-line, as chamadas bets. Os dois confirmam a amizade, mas negam qualquer sociedade ou irregularidade.
Flávio também é alvo de outro inquérito da Polícia Federal, aberto para apurar possíveis crimes no financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o fechamento desta matéria, o paradeiro exato do senador seguia sem confirmação oficial dos governos brasileiro ou americano.
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