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Mato Grosso do Sul

Servidores acusam Catan de tentar “transformar Cassems em Previsul” e trazem à tona escândalos envolvendo o avô do parlamentar

Servidores de Mato Grosso do Sul reagem às críticas do parlamentar resgatando investigações sobre esquemas de caça-níqueis e desvios no antigo DNER.

A tensão entre o funcionalismo público de Mato Grosso do Sul e o deputado estadual João Henrique Catan ganhou um novo contorno nesta semana. Diante dos questionamentos frequentes do parlamentar à Caixa de Assistência dos Servidores do Estado (Cassems), categorias trabalhistas passaram a usar o histórico familiar do próprio político para rebater seu discurso de moralidade administrativa.

A reação ganhou escala em grupos de mensagens do funcionalismo, onde passou a circular a afirmação de que “Catan quer terminar o que o avô começou e transformar a Cassems em um novo Previsul”. A referência remete à gestão do ex-governador Marcelo Miranda, avô do deputado, período marcado por crises no antigo modelo de assistência estadual e por denúncias de desvios milionários no extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), hoje DNIT.

O foco das críticas também atingiu a figura paterna do parlamentar. O advogado João Alex Monteiro Catan voltou ao centro do debate após servidores relembrarem um inquérito da Polícia Federal. Na investigação, ele foi apontado como suposto líder de um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis no estado, caso de ampla repercussão local.

Para parte do funcionalismo, as credenciais da família Catan entram em choque com a plataforma política do deputado, construída sobre a retórica anticorrupção e de fiscalização rigorosa. Um dos servidores questionou a postura do parlamentar: “Quer posar de paladino da moral enquanto a própria família carrega um histórico pesado de escândalos políticos”.

A Cassems, principal alvo da atual ofensiva legislativa, administra uma ampla rede de hospitais e clínicas financiadas com descontos diretos nos contracheques dos trabalhadores estaduais. Nos bastidores, líderes da categoria avaliam que a pressão exercida por Catan ultrapassa a função fiscalizatória, configurando uma tentativa de enfraquecer a autonomia dos servidores sobre seu próprio patrimônio de saúde.

“Primeiro desacreditam a instituição. Depois criam o caos. No final, quem perde é o servidor”, resumiu uma funcionária pública sobre os possíveis impactos da instabilidade institucional.

Apesar do desgaste crescente com a base de trabalhadores do Estado, João Henrique Catan mantém a justificativa de que sua atuação visa unicamente garantir a transparência e a correta aplicação dos recursos da entidade assistencial.


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