Programa financiado pelo Banco Mundial condiciona pagamentos à qualidade das obras em cerca de 1.000 quilômetros de vias
O governo de Mato Grosso do Sul formalizou nesta quarta-feira (22) um plano de reestruturação de sua malha viária que promete alterar a lógica de contratação de obras públicas no estado. Com um orçamento de US$ 250 milhões — aproximadamente R$ 1,25 bilhão na cotação atual —, o programa Rodar MS tem como foco transferir para a iniciativa privada a responsabilidade integrada de projetar, restaurar e manter praticamente 1.000 quilômetros de rodovias pelos próximos anos.
O projeto é ancorado em um modelo batizado de Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias), desenhado com suporte do Banco Mundial (BIRD), que financiará US$ 200 milhões do montante total, com contrapartida estadual de US$ 50 milhões. O objetivo central é reverter a equação tradicional da infraestrutura estatal: em vez de pagar apenas pela execução do asfalto, o Estado atrelará a remuneração das empreiteiras ao cumprimento de indicadores de desempenho contínuos.
Segundo projeções do BIRD que balizam o programa, a mudança de paradigma pode reduzir os custos de manutenção dos cofres estaduais em até 38%. Para o setor produtivo, a promessa de impacto é ainda mais contundente, com estimativas apontando uma queda de até quatro vezes nos custos operacionais dos veículos de carga que escoam a produção local.
O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, explicou que o trunfo do novo modelo está em delegar à mesma empresa tanto a elaboração do projeto executivo quanto a obra e a manutenção. “Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção”, resumiu o secretário, argumentando que a lógica cria um incentivo financeiro direto para uma execução de excelência.
A implementação ocorrerá em duas frentes, atingindo 22 municípios sul-mato-grossenses. A maior fatia, que abrange cerca de 730 quilômetros, operará sob o formato DBM (Design, Build, Maintain), com contratos de dez anos de duração. Outro braço do programa focará na região do Bolsão, englobando cidades como Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas. Neste polo, o Estado firmará Parcerias Público-Privadas (PPPs) com duração mais extensa, de 30 anos, para a gestão de mais de 208 quilômetros nas rodovias MS-377 e MS-240.
Além do impacto direto nas rodovias de escoamento, o pacote logístico inclui intervenções de acessibilidade no entorno de 24 escolas públicas. A medida atua como uma contrapartida social de resiliência e segurança, buscando reduzir os riscos nas travessias para as comunidades locais que convivem diretamente com o tráfego pesado do agronegócio.
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