Mãe adolescente mudou a versão inicial de sequestro e confessou que a bebê de 28 dias serviu como pagamento; Polícia Civil apura o caso.
Campo Grande — A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul passou a investigar uma nova e grave hipótese para o desaparecimento de uma bebê de 28 dias. A mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, e sua irmã confessaram nesta sexta-feira (7) que a recém-nascida foi entregue a terceiros como forma de pagamento de uma dívida do pai com uma facção criminosa, desmentindo o relato inicial de que haviam sido vítimas de sequestro e cárcere privado.
A reviravolta no caso ocorreu após as diligências iniciais da Polícia Militar não confirmarem os detalhes do primeiro depoimento. Na versão original, registrada em boletim de ocorrência, as jovens alegavam ter ido a uma residência no Bairro Universitário, atraídas por uma mulher que conheceram em um grupo de WhatsApp voltado à venda de roupas infantis. A promessa seria um pagamento de 100 reais diários para que a adolescente cuidasse de outra criança.
O falso relato descrevia um cenário de coação extrema. As adolescentes afirmaram inicialmente que, ao chegarem ao local, receberam água e encontraram cerca de dez homens, sendo informadas de que outras três mulheres chegariam em seguida. A mãe relatou ter sido ameaçada de ser jogada em um buraco caso se recusasse a entregar a filha, além de ter o celular retido pelo grupo. Segundo essa narrativa, elas teriam sido abandonadas por volta da 1h da madrugada nas proximidades da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário, já sem a bebê, após a irmã mais nova ter dormido até as 20h.
As contradições começaram a ficar evidentes durante as buscas. Levadas aos supostos endereços pela polícia, as irmãs não conseguiram reconhecer os locais. Com o avanço das oitivas e a falta de indícios que sustentassem o cárcere privado, ambas recuaram e admitiram que a história havia sido forjada para encobrir a entrega direta da criança.
Com a confissão, a investigação — conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), após trâmite na Depac Cepol — muda de foco. O objetivo central das autoridades passa a ser a localização imediata da menina, a identificação de quem a recebeu e o esclarecimento detalhado sobre a dívida do pai com o crime organizado. Um fator que agrava a vulnerabilidade da bebê e dificulta os rastreios oficiais é a ausência de registro civil, já que a recém-nascida ainda não possui certidão de nascimento nem CPF.
O inquérito segue sob apuração rigorosa para mapear a rede de envolvidos na transação criminosa, visando o resgate da recém-nascida e a responsabilização de todos os participantes.
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