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Mato Grosso do Sul

Famílias migrantes buscam segurança e novas oportunidades em Campo Grande

Parcerias entre a gestão municipal e o terceiro setor garantem acolhimento temporário, regularização de documentos e inserção escolar para estrangeiros

Campo Grande — Em busca de segurança, estabilidade e qualidade de vida, famílias de migrantes e refugiados vindas de múltiplos países da América Latina têm encontrado na capital de Mato Grosso do Sul um ponto de apoio estratégico para recomeçar. Por meio de uma atuação conjunta entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) e a Casa Resgate, homens, mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade recebem suporte imediato para restabelecer suas vidas.

A colombiana Luisa Fernanda Garcia Luna, de 26 anos, exemplifica o fluxo migratório recente. Acompanhada pelo marido e pelos dois filhos, de 7 e 10 anos, ela optou por deixar a Colômbia após a escalada da violência urbana comprometer a segurança da família e inviabilizar o negócio de transportes que o casal mantinha em seu país natal. A travessia até o Brasil ocorreu pela fronteira de Corumbá, tendo Campo Grande como meta estabelecida desde o planejamento inicial.

"Vivíamos com medo. Nosso maior receio era pelos nossos filhos. Queríamos um lugar onde eles pudessem crescer em segurança, estudar e ter oportunidades."

O acolhimento dessas famílias é intermediado pela Casa Resgate, um serviço de passagem cofinanciado pela Prefeitura Municipal, que fornece alimentação, habitação temporária e articulação com serviços básicos de saúde e educação. A composição do público atendido é heterogênea, englobando cidadãos da Colômbia, Equador, Haiti, Bolívia e Peru. No entanto, a população de origem venezuelana representa o maior volume de atendimentos, concentrando cerca de 80% do total de residentes — o equivalente a oito em cada dez acolhidos na unidade.

O regulamento institucional prevê uma estadia de até 90 dias, prazo no qual as equipes técnicas prestam assessoria jurídica e burocrática para a emissão de documentos nacionais, matrícula de menores na rede de ensino e encaminhamento dos adultos ao mercado de trabalho formal. De acordo com Jéssica Thaynara Rodrigues, técnica da Casa Resgate, o espaço atua de forma flexível: acolhe tanto aqueles que planejam se estabelecer na capital quanto indivíduos que utilizam a estrutura de forma transitória, aguardando deslocamento para estados onde já possuem vínculos parentais.

A dinâmica logística dos alojamentos foi planejada para preservar a integridade e a privacidade dos acolhidos, organizando dormitórios separados para o público feminino e mães com filhos, e alas específicas para pais solteiros. O espaço dispõe ainda de lavanderia, refeitório e áreas comuns destinadas à convivência e à troca de experiências entre famílias que compartilham a mesma condição de deslocamento geográfico.

A necessidade de criar raízes e garantir estabilidade institucional também motivou a equatoriana Marta Garcia, de 47 anos, a buscar o território brasileiro. Natural de Guayaquil, a escritora e produtora de conteúdo deixou o Equador no encerramento de 2024, enfrentando meses de trânsito pela Bolívia antes de cruzar a fronteira. O objetivo central da mudança foi assegurar acesso educacional regular ao filho de 11 anos, hoje matriculado em uma escola municipal de tempo integral em Campo Grande.

O custeio operacional da Casa Resgate provém de verbas públicas municipais, emendas do poder legislativo e doações civis voluntárias. A rede assistencial foca na transição célere do modelo de abrigamento para a autonomia financeira, estruturando o apoio inicial como base para que os novos moradores convertam o cenário de incertezas em inserção social e econômica na capital.


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