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Luto

Morre a cantora britânica Bonnie Tyler, voz de 'Total Eclipse of the Heart', aos 75 anos

LONDRES — A cantora britânica Bonnie Tyler, mundialmente reconhecida por sua voz rouca e pelo emblemático sucesso dos anos 1980 Total Eclipse of the Heart, faleceu aos 75 anos. O anúncio oficial foi divulgado em seu site nesta quinta-feira (9), confirmando que a artista morreu inesperadamente na noite anterior em um hospital em Portugal, em decorrência de complicações da enfermidade pela qual recebia cuidados médicos.

Nascida sob o nome de Gaynor Hopkins, a artista enfrentava sérios problemas de saúde desde maio deste ano, quando foi submetida a uma cirurgia de emergência no intestino em território português, chegando a ser colocada em coma induzido. Embora tenha apresentado uma breve melhora no mês passado e saído do coma, seu estado geral permaneceu grave, demandando internação contínua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Bonnie Tyler no palco cantando. Ela veste um vestido preto de mangas compridas e segura o microfone em uma das mãos, com a outra estendida. Seus longos cabelos loiros estão soltos.

Com uma trajetória profissional que se estendeu por cinco décadas, Tyler recebeu no início de sua projeção o apelido de "a Rod Stewart feminina", uma alusão direta ao seu timbre vocal característico. Sua ligação com a música teve início na juventude, período em que costumava transportar discos em sacolas plásticas para ouvir rock com seus primos na residência de sua tia.

Antes de alcançar os grandes palcos e estúdios, a jovem galesa atuou por sete anos em circuitos locais, apresentando-se em clubes de rúgbi e agremiações de trabalhadores no País de Gales. A oportunidade de ingressar definitivamente na indústria fonográfica ocorreu após ser identificada pelo agente de talentos Roger Bell, que a assistiu em uma performance em uma boate na cidade de Swansea.

Bell intermediou sua transferência para Londres, culminando no lançamento de seu primeiro single em 1977, a balada romântica Lost in France — que a levou a cantar no famoso programa de música da televisão Top Of The Pops. Naquele período inicial, ela utilizava o pseudônimo Sherene Davies, alterado por recomendação de sua gravadora, a RCA — que também gerenciava o catálogo de Elvis Presley —, sob o argumento de que o nome original remetia a uma dançarina do ventre. A própria cantora elaborou o nome Bonnie Tyler cruzando listas de prenomes e sobrenomes extraídos de um jornal.

Imagem em preto e branco de Bonnie Tyler, com volumosos cabelos loiros, cantando ao microfone. Ela veste um sobretudo de couro, com um músico tocando violão ao fundo.

O ápice de sua projeção global consolidou-se cinco anos mais tarde com o lançamento de Total Eclipse of the Heart, composição de Jim Steinman. Tyler relembrou que a primeira audição da obra ocorreu em Nova York, interpretada por Steinman ao piano, momento em que considerou a canção extraordinária. Apesar do entusiasmo, a cantora temia que as emissoras de rádio rejeitassem a faixa devido à sua extensão original, que contava com oito minutos de duração.

A edição de uma versão compacta de quatro minutos reverteu as expectativas comerciais e liderou as paradas musicais globais, ocupando o primeiro lugar por duas semanas no Reino Unido e por quatro semanas consecutivas nos Estados Unidos. A longevidade da obra estendeu-se à era digital: neste ano, a gravação atingiu a marca de 1 bilhão de reproduções na plataforma Spotify, enquanto seu videoclipe oficial ultrapassou 1,3 bilhão de visualizações no YouTube. Tyler reiterou publicamente que, mesmo após 43 anos executando a canção, jamais cansou de interpretá-la.

A sequência de sua carreira foi balizada por outros sucessos expressivos de mercado, como Holding out for a Hero, It's A Heartache, Together e If You Were A Woman (And I Was A Man). A aclamação pela crítica rendeu-lhe três indicações ao prêmio Grammy na categoria de melhor performance vocal feminina, contemplando o single Total Eclipse of the Heart, o álbum Faster Than The Speed Of Night e a faixa Here She Comes.

No âmbito institucional, Tyler representou o Reino Unido no festival Eurovision em 2013 e, em 2022, foi condecorada com a Ordem do Império Britânico (MBE) por seus serviços à música. A honraria foi formalmente entregue pelo príncipe William no ano subsequente. Criada em um complexo de habitação popular, a cantora manifestou surpresa ao receber a distinção governamental durante o lançamento de sua autobiografia, Straight from the Heart ("Direto do Coração"), em 2023. Na publicação, descreveu sua transição de uma infância marcada pela extrema timidez em Skewen para o estrelato internacional, creditando à sua mãe o aprendizado de acreditar em si mesma.

Na vida pessoal, Tyler era casada com Robert Sullivan. O casal dividia sua rotina de residência principalmente entre Portugal e sua propriedade em Swansea, integrando um sólido patrimônio imobiliário estimado em 22 casas ao redor do mundo. Embora não tenham tido filhos devido a um aborto espontâneo sofrido pela cantora aos 40 anos — fato que ela atribuiu ao início tardio das tentativas aos 39 anos, face às demandas absorventes de sua carreira —, Tyler sempre expressou apreço por crianças. Após o episódio, concentrou seus esforços no ambiente de trabalho, declarando-se realizada com a estrutura familiar estabelecida com Sullivan.

Bonnie Tyler no palco, olhando para longe da câmera. É uma fotografia recente. Ela veste uma jaqueta branca estilo militar, brincos de argola e usa batom e sombra rosa.

A morte de Bonnie Tyler encerra o ciclo de uma das figuras mais resilientes do cenário musical britânico, cujo legado transcende gerações através de métricas de mercado robustas e uma identidade artística singular.

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bonnie tylerFamosos que FaleceramPortugal
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