Ministro do STF falaria à imprensa nesta quinta-feira para defender condução de investigações, mas recuou após intervenção da Presidência do tribunal.
Brasília — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou a manifestação à imprensa que havia convocado para a manhã desta quinta-feira (10). O movimento ocorre um dia após o presidente da Corte, Edson Fachin, intervir diretamente na crise institucional e avocar para si os processos que estavam sob a alçada de Moraes, incluindo o inquérito das fake news.
O gabinete do magistrado havia divulgado inicialmente apenas o horário do pronunciamento, sem detalhar o escopo da fala. A expectativa nos bastidores, contudo, era de que Moraes apresentasse uma defesa pública sobre a legalidade das apurações conduzidas desde 2019 para investigar notícias fraudulentas, ameaças e ataques ao tribunal e seus familiares. Pouco tempo após o anúncio, a assessoria confirmou o recuo e limitou-se a informar que a manifestação será "remarcada em data oportuna".
A suspensão abrupta da fala reflete o impacto das medidas adotadas por Fachin para tentar frear o choque direto entre integrantes da Corte. Na quarta-feira (9), o presidente do Supremo esvaziou a competência de Moraes, transferindo a análise dos procedimentos para a Presidência, e suspendeu determinações conflitantes assinadas por André Mendonça e Flávio Dino. Ao justificar a ofensiva centralizadora, Fachin argumentou que a liderança do tribunal tem a obrigação de "zelar pela preservação da integridade da Corte" diante de um cenário de "conflitos e sobreposições processuais".
O epicentro do atual embate remonta às operações envolvendo o Banco Master e a descoberta de mensagens interceptadas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material, que cita comunicações enviadas a Moraes, abriu uma disputa paralela sobre a condução das apurações. Nos últimos dias, despachos cruzados ampliaram a tensão, envolvendo até a estrutura operacional da Polícia Federal e o posicionamento institucional da Procuradoria-Geral da República.
Para buscar um desfecho que restaure a estabilidade e retire a crise do âmbito monocrático, Fachin convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15). Na ocasião, os ministros terão a tarefa de analisar os desdobramentos do relatório policial e definir o rumo definitivo das investigações, submetendo o conflito ao escrutínio coletivo.
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