TRF-1 decide, por unanimidade, que CFM e CRM-DF devem entregar prontuários do ex-presidente, internado às vésperas da posse em 1985
A Justiça Federal autorizou, nesta segunda-feira (26), o acesso a documentos sigilosos sobre a morte do ex-presidente Tancredo Neves, ocorrida em abril de 1985. Em decisão unânime, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) atendeu a pedido da família do político, que busca esclarecer as circunstâncias do caso há mais de uma década.
Com a decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) ficam obrigados a liberar prontuários, relação de médicos responsáveis e outros documentos referentes ao período em que Tancredo esteve internado no Hospital de Base, em Brasília.
Tancredo Neves foi internado na véspera de sua posse como presidente da República e morreu um mês depois, em 21 de abril de 1985. Ele passou por sete cirurgias no período. Na época, a causa oficial da morte foi atribuída a uma infecção generalizada, após o então presidente eleito dar entrada no hospital com fortes dores abdominais.
A versão oficial, porém, é questionada pela família, que aponta a possibilidade de erro médico no tratamento.
Para a advogada da família, Juliana Porcaro, a divulgação dos documentos interessa não só aos parentes de Tancredo, mas ajuda a contar a "história de uma nação".
O G1 procurou o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal e aguarda retorno sobre a decisão.
Mais de uma década de tramitação
O processo que pede a quebra de sigilo foi aberto pela família há mais de dez anos, mas foi encerrado em primeira instância em 2012. Dois anos depois, em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou favorável ao pedido dos familiares.
Ainda assim, a ação permaneceu paralisada por mais de uma década. Só em 2025 o caso voltou a tramitar, desta vez no TRF-1, até chegar à decisão unânime divulgada nesta segunda-feira.
A decisão chega 41 anos após a morte do ex-presidente, cuja causa a família tenta esclarecer pela via judicial desde 2012.
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