Ofensiva militar ordenada por Donald Trump ocorre nove dias após a assinatura de um tratado preliminar de paz; Guarda Revolucionária iraniana promete reação imediata.
Washington — As Forças Armadas dos Estados Unidos executaram nesta sexta-feira uma série de bombardeios táticos contra posições estratégicas na região do Estreito de Ormuz. A ofensiva militar ocorre em retaliação direta a ataques com drones atribuídos a Teerã, desencadeando uma crise imediata no Oriente Médio apenas nove dias após a celebração de uma trégua preliminar entre as duas nações.
De acordo com o Comando Central dos EUA (CentCom), caças e aeronaves de combate atingiram depósitos de mísseis, armazéns de veículos aéreos não tripulados e instalações de radares costeiros localizados no litoral sul do Irã. A operação retaliatória foi deflagrada horas depois de o presidente americano, Donald Trump, acusar abertamente o regime iraniano de violar os compromissos bilaterais de segurança firmados no último dia 17 de junho.
O estopim da resposta militar de Washington foi o lançamento de quatro drones de ataque iranianos contra navios comerciais que navegavam pela hidrovia. Embora três das aeronaves tenham sido interceptadas pelas patrulhas de defesa americanas, um dos dispositivos atingiu o convés superior de um cargueiro de grande porte. A agressão provocou danos materiais leves, mas a embarcação conseguiu manter a navegabilidade e seguiu o seu curso original.
A escalada de violência forçou a suspensão imediata de uma complexa operação internacional de evacuação de embarcações civis capitaneada pela Organização Marítima Internacional (OMI). A agência vinculada às Nações Unidas havia estruturado rotas monitoradas para liberar centenas de navios retidos na zona de atrito comercial. O secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, informou que as atividades foram paralisadas para reavaliação das garantias de segurança após um porta-contêineres britânico ser alvejado nas proximidades de Omã.
O recrudescimento das hostilidades põe em risco o pacto de 14 pontos fechado pelas potências para garantir a liberdade de navegação global. O acordo estipulava a reabertura completa do Estreito de Ormuz e previa um interstício de 60 dias para negociações diplomáticas aprofundadas, incluindo restrições ao programa nuclear de Teerã. Em contrapartida à ação americana, a Guarda Revolucionária do Irã subiu o tom beligerante e ameaçou implementar um contra-ataque rápido no corredor marítimo por onde escoa grande parte do petróleo mundial.
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