Reunião de emergência debateu a legalidade da operação militar norte-americana na Venezuela; Brasil deve se pronunciar condenando a ofensiva.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta segunda-feira (5), tornou-se palco de um duro confronto diplomático a respeito do ataque dos Estados Unidos à Venezuela no fim de semana, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. A sessão foi marcada pela defesa da operação por parte de Washington e pela condenação veemente de potências aliadas a Maduro, como Rússia e China.
A reunião foi solicitada pela Colômbia após os ataques norte-americanos a diversos pontos de Caracas na madrugada de sábado (3), que culminaram na detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O casal deve comparecer a um tribunal em Nova York ainda hoje. É importante notar que o governo norte-americano possui poder de veto nas votações do Conselho.
A Defesa dos Estados Unidos
Durante a sessão, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu a ação militar, classificando-a como uma “operação para o cumprimento da lei”.
- Waltz chamou Maduro de “um fugitivo da Justiça norte-americana e diretamente responsável pelas mortes de milhares de norte-americanos”.
- O embaixador americano afirmou ainda: “Maduro não só era um narcotraficante, ele era um presidente ilegítimo e não era um líder de Estado. Por anos, eles manipularam o sistema eleitoral para se manter no poder”.
As Críticas da Comunidade Internacional
A posição americana foi confrontada imediatamente. No discurso inicial, a vice-secretária-geral da ONU declarou que a instituição está “preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional”.
Rússia e China, aliados da Venezuela, utilizaram termos fortes para condenar o ataque:
- Rússia: O embaixador Vasily Nebenzya pediu a libertação imediata de Maduro e acusou os EUA de serem “hipócritas e cínicos”. Ele afirmou que a Casa Branca não escondeu o teor de sua “operação criminosa para tomar os recursos energéticos”. Nebenzya disse que a ONU não pode aceitar essa postura e alertou: “Com suas ações, os EUA estão gerando um embalo para um novo momento para neocolonialismo e imperialismo”.
- China: O representante chinês, Fu Cong, disse que o país está “profundamente chocado e condena fortemente o bullying” do governo norte-americano. Cong argumentou que “nenhum país tem poder para atuar como polícia ou tribunal internacional” e acusou os EUA de desconsiderarem as “graves consequências” do ataque, colocando em perigo a paz internacional e da América Latina.
As Demandas da Venezuela
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, afirmou que o ataque dos EUA envia a mensagem de que “seguir a lei é opcional”. A Venezuela pediu que o Conselho de Segurança garanta que o governo Trump não se apodere de seus recursos naturais e apresentou uma lista de exigências:
- Exigir que os EUA respeitem os direitos de Maduro e Cilia e que os libertem imediatamente;
- Condenar de forma inequívoca o uso da força contra a Venezuela;
- Reafirmar o princípio de não aquisição de território ou recursos naturais;
- Adotar esforços para desescalada, proteção da população civil e retomada da ordem.
A Posição Brasileira
O Brasil não é membro permanente do conselho, mas o representante brasileiro na ONU, Sérgio Danese, deve pedir a palavra durante a reunião. Fontes confirmaram que Danese pretende reafirmar a posição brasileira de que a ação militar da Casa Branca na Venezuela é uma afronta à soberania do país sul-americano e às regras do direito internacional, repetindo a condenação à ofensiva do governo Trump.