Primeiro contato após a invasão norte-americana na Venezuela termina com agendamento de encontro presencial, mas sem confirmação do Brasil sobre adesão a novo órgão internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (26). O diálogo, que durou cerca de 50 minutos, abordou a crise na Venezuela, a cooperação econômica e resultou no agendamento de uma visita do líder brasileiro a Washington nos próximos meses.
Tensão sobre a Venezuela
Esta foi a primeira interação direta entre os dois mandatários desde que os Estados Unidos realizaram uma intervenção militar na Venezuela no início deste mês, retirando Nicolás Maduro do poder e levando-o detido para o território americano.
Durante a chamada, Lula e Trump trocaram impressões sobre o cenário no país vizinho. O presidente brasileiro enfatizou a importância de “preservar a paz e a estabilidade da região” e de focar no bem-estar do povo venezuelano.
A postura de Lula mantém a linha crítica adotada publicamente na última sexta-feira (23), quando classificou a ação militar dos EUA como uma “falta de respeito”, afirmando que a “Carta da ONU está sendo rasgada” pela prevalência da lei do mais forte.
O Impasse do “Conselho da Paz”
Um dos pontos centrais da conversa foi o convite para o Brasil integrar o “Conselho da Paz”, iniciativa criada por Trump. Lula não confirmou a participação brasileira e apresentou contrapropostas. O petista sugeriu que o órgão:
- Tenha foco limitado a questões humanitárias e à situação da Faixa de Gaza;
- Preveja um assento para a Palestina nos debates.
Segundo fontes diplomáticas, o Brasil vê com preocupação um conselho que nasce sob presidência fixa dos EUA e com um estatuto unilateral. A estratégia do Itamaraty é não recusar imediatamente, mas solicitar “esclarecimentos técnicos” sobre as brechas jurídicas do estatuto para ganhar tempo.
Reformas e Economia
Lula aproveitou a instabilidade global para reiterar a necessidade de uma reforma abrangente na ONU, pleiteando a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
No campo bilateral, o tom foi positivo. Ambos concordaram que há boas perspectivas econômicas para os dois países e celebraram a retirada recente de tarifas sobre produtos brasileiros. Além disso, Lula propôs ampliar a parceria no combate ao crime organizado, focando na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, sugestão que foi bem recebida por Trump.