Equipe econômica atualiza Orçamento de 2026 e anuncia bloqueio de R$ 13,6 bilhões para tentar manter contas no limite do arcabouço fiscal.
Brasília — O Ministério do Planejamento ajustou nesta quinta-feira (24) o orçamento de 2026 para comportar o reajuste do Bolsa Família, anunciado recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio ao calendário eleitoral. Com a manobra, delineada no relatório de receitas e despesas do quarto bimestre, a projeção de déficit nas contas do governo saltou de R$ 52 bilhões (0,38% do PIB) para R$ 80,9 bilhões (0,59% do PIB).
O impacto da ampliação do programa social, cujo piso passará de R$ 600 para R$ 691 em outubro e o benefício médio atingirá R$ 777, será de R$ 5,8 bilhões apenas neste ano. Segundo a equipe econômica, a margem para o aumento foi viabilizada por uma revisão para baixo nas projeções de despesas com a Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), subsídios e pessoal.
"Só liberamos o reajuste quando havia clareza que a despesa obrigatória seria projetada para baixo", argumentou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. O titular da pasta sustentou que o remanejamento reflete uma "melhor eficiência orçamentária" nas projeções do INSS, afastando a hipótese de cortes diretos.
Para evitar um descumprimento iminente do arcabouço fiscal — que estipula um déficit máximo tolerado de R$ 67,3 bilhões —, o Executivo contingenciou R$ 13,6 bilhões em despesas. O movimento tenta garantir que o rombo oficial permaneça no limite fixado pelas regras vigentes.
A engenharia orçamentária contou ainda com a redução de um bloqueio anterior de limite de gastos, que caiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões. O alívio foi proporcionado pela entrada de R$ 50 bilhões em receitas extraordinárias ligadas à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo cenário de guerra no Oriente Médio. O balanço final das revisões indicou uma sobra teórica de R$ 1,9 bilhão para a máquina pública.
O montante, no entanto, permanecerá retido no caixa como medida de prudência. "Por enquanto, não vou liberar agora. Vou examinar os pedidos dos órgãos", declarou Moretti, ressaltando que a reserva atenderá a pleitos futuros entre os relatórios bimestrais. "Os recursos serão liberados se houver necessidade de fazê-lo."
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