Voltar para início
Economia

Brasil mantém juros reais mais altos do mundo mesmo após novo corte da taxa Selic

Levantamento da MoneYou aponta que o país ampliou distância para a Rússia na primeira posição; conflitos no Oriente Médio pressionam expectativas de inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 13,75% ao ano. Apesar do movimento, consolidado nesta quarta-feira (16) como o quinto corte consecutivo promovido pela autoridade monetária, o Brasil permanece isolado na liderança do ranking mundial de juros reais.

A taxa real brasileira, que desconta a inflação projetada para os próximos doze meses da taxa nominal, atingiu o patamar de 8,45%. Os dados integram o mais recente levantamento compilado pela consultoria MoneYou, que analisa as políticas monetárias de dezenas de nações. O resultado evidencia um aprofundamento do hiato entre a economia nacional e os demais mercados globais.

Na segunda colocação do ranking, a Rússia registra juros reais de 6,79%. A diferença entre os dois países, que no relatório anterior correspondia a uma fração estreita de 0,21 ponto percentual, agora se expandiu a favor do Brasil. O pódio mundial é completado pela Colômbia, que sustenta uma taxa real de 6,33% em meio ao cenário sul-americano.

A métrica do juro real reflete diretamente o custo de captação de recursos e o rigor da política monetária de um país. O relatório da consultoria explicou que o movimento generalizado de redução das taxas reais na maioria das economias ocorreu devido à elevação das expectativas de inflação futura. O mercado financeiro internacional precifica as incertezas provocadas pela escalada do conflito no Oriente Médio, fator que desestabiliza a cadeia de suprimentos.

Essa tensão geopolítica tem impulsionado a cotação global do barril de petróleo, cenário que carrega o potencial de pressionar o índice de preços brasileiro por meio do encarecimento estrutural dos combustíveis fósseis. Ainda assim, a inflação oficial do país encerrou o mês de agosto com um acumulado de 4,22% nos últimos doze meses, mantendo-se dentro da margem de tolerância estabelecida pela meta do Banco Central.

A vizinha Argentina, atualmente governada pelo presidente Javier Milei e lidando com um forte choque econômico, demonstrou oscilação no levantamento. O país ocupou a sétima posição da lista neste mês, com um juro real de 2,69%, número que reflete um ambiente financeiro desafiador e uma base inflacionária persistente.

O panorama internacional retrata um ciclo de forte cautela entre as autoridades monetárias. A análise ampla da MoneYou, englobando 164 nações, revelou que mais de sete em cada dez bancos centrais (72,56%) optaram por manter suas taxas inalteradas. Apenas uma minoria de 6,10% decidiu promover cortes, enquanto 21,34% elevaram os juros nominais.

Quando o recorte foca exclusivamente no grupo dos 40 países mais representativos que compõem o ranking principal, o perfil conservador se repete: mais da metade (55%) congelou os juros, 35% ampliaram as taxas e somente a menor parcela de 10% optou por reduções.

Sob a ótica puramente dos juros nominais, sem considerar a subtração da expectativa de inflação, o Brasil apresentou uma leve retração. O país caiu da terceira para a quarta posição mundial com sua taxa de 13,75%, sendo ultrapassado pela Rússia (14%). A Turquia lidera esse recorte com expressivos 37%, seguida pela Argentina com 29%, evidenciando realidades de forte descompasso econômico nesses mercados emergentes.


BRTimes — Jornalismo com independência e responsabilidade.

Anuncie aqui Alcance leitores em todo o Brasil. Fale com o comercial do BR Times.
Banco CentralBrasilcopomInflaçãoJurosjuros reaismoneyoutaxa selic
Compartilhar: