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Economia

Dólar recua ao menor patamar em dois anos e Ibovespa bate recorde após trégua no Oriente Médio

Alívio geopolítico derruba a cotação internacional do petróleo e impulsiona bolsas globais; mercado também repercute ata cautelosa do Federal Reserve

O mercado financeiro global operou em forte rali nesta quarta-feira (8), impulsionado pela desescalada imediata das tensões no Oriente Médio. Um acordo temporário de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã garantiu a reabertura do Estreito de Ormuz, provocando uma queda expressiva nos preços internacionais da energia e refletindo diretamente nos ativos brasileiros. A moeda americana recuou 1,13%, negociada a R$ 5,0965 durante a tarde, e chegou a bater R$ 5,0654 na mínima diária — o menor nível em quase dois anos.

Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou um salto de 2,20%, operando na faixa de 192.396 pontos e renovando sua máxima histórica ao tocar os 193 mil pontos no melhor momento da sessão. Com o desempenho desta quarta-feira, a moeda americana consolida uma retração de 6,08% no ano, enquanto a bolsa brasileira acumula um avanço robusto de 16,84%.

A onda de otimismo não se restringiu ao Brasil. Em Wall Street, os índices Dow Jones e Nasdaq avançaram 2,81%, enquanto o S&P 500 ganhou 2,36%. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 subiu 3,7%, acompanhado pelo DAX da Alemanha (4,7%) e o CAC 40 da França (4,5%). O movimento asiático foi igualmente expressivo, com altas que chegaram a 6,9% no Kospi sul-coreano e 5,4% no Nikkei japonês.

O catalisador incontestável deste ambiente de apetite por risco foi a confirmação de uma pausa nas hostilidades militares. Pouco antes da abertura dos mercados ocidentais, o barril de petróleo Brent, referência global, afundou 15,31%, retornando à marca de US$ 92,54. O petróleo WTI, usado como baliza nos Estados Unidos, acompanhou a tendência e caiu 17,26%, para US$ 93,43.

O anúncio oficial da trégua de duas semanas partiu do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do diálogo diplomático que tem Islamabad como sede prevista. A decisão foi chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, que utilizou a rede Truth Social para confirmar o adiamento de um ultimato militar que se encerraria na noite de terça-feira. Trump declarou que os objetivos militares do país já foram alcançados e avalia uma proposta iraniana de dez pontos.

Do outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, validou o acordo, comprometendo-se a suspender as ações defensivas enquanto os bombardeios não forem retomados. O chanceler confirmou que a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, ainda que sob condições específicas. Segundo autoridades da Casa Branca e veículos da imprensa israelense, a coordenação da trégua também abrange Israel e o Líbano.

Paralelamente ao arrefecimento geopolítico, o mercado absorveu a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), realizada em março, quando a taxa básica de juros americana foi mantida no patamar de 3,50% a 3,75%. O documento evidenciou um comitê atento à dinâmica dos preços de energia. Técnicos do banco central alertaram para um risco elevado de inflação alta combinada com crescimento econômico fraco, cenário diretamente atrelado ao conflito no Oriente Médio.

Parte dos dirigentes do Fed considerou que “ajustes para cima na faixa da meta para a taxa dos fundos federais podem ser apropriados se a inflação permanecer em níveis acima da meta”. No entanto, a perspectiva de manutenção de cortes de juros no cenário básico prevaleceu, ancorada no temor de que a guerra prolongada esfrie a economia. A ata destacou que uma parcela majoritária do comitê indicou que a manutenção das tensões “poderia levar a um abrandamento ainda maior nas condições do mercado de trabalho”.

No cenário interno, além da resposta aos fatores externos, a agenda política e econômica do dia é marcada pela presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, prevista para a manhã desta quarta-feira, adicionando um componente local de atenção aos investidores.


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